A direção nacional do PT decidiu, nesta terça-feira (7 de abril de 2026), que a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) será a candidata da centro-esquerda ao governo do Rio Grande do Sul. A resolução, aprovada pela Comissão da Executiva Nacional via Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), encerra a disputa interna e deixa o PT gaúcho sem candidato próprio pela primeira vez.
A decisão contraria a vontade do ex-presidente da Conab, Edegar Pretto, que era o nome preferido pela maioria da legenda no estado. A resolução orienta a "construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola". Edegar Pretto foi citado como "liderança com maior legitimidade para liderar essa construção".
A intervenção nacional diverge da posição defendida por Pretto e pelos ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra. Em plenária realizada em Porto Alegre na segunda-feira (6), Genro criticou a decisão: "Aqui, no Rio Grande do Sul, ninguém aceita intervenção. Intervenção é um desrespeito não somente à minha trajetória e à dos demais quadros políticos que foram dirigentes do nosso partido, é um desrespeito à história da nossa militância".
Os petistas gaúchos argumentam que a escolha de Pretto foi democrática, realizada em convenção em novembro do ano passado com apoio do PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB. O PSOL ameaça lançar candidatura própria caso o acordo com o PT seja desfeito.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou a manutenção de dois palanques como "etnocentrismo político inaceitável" e alertou para o alto custo político de não haver um acordo. A eleição de 2022 viu Edegar Pretto obter 26,7% dos votos, perdendo para Eduardo Leite por uma margem mínima.
Fonte: O Globo