A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (6) a demissão de Claudio Romeo Schlosser, diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. A decisão ocorreu após reunião do Conselho de Administração da estatal e está ligada à venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) com ágio superior a 100% em um leilão realizado em 31 de maio. O preço do combustível, popularmente conhecido como gás de cozinha, chegou a dobrar em relação ao valor de tabela.
O leilão gerou críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou a operação como "cretinice, bandidagem" e expressou o interesse em anulá-la, alegando que ocorreu "contra a orientação da empresa". A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já havia iniciado uma fiscalização para apurar suspeitas de preços elevados.
A demissão coincide com o anúncio de medidas do governo para mitigar o impacto da alta internacional dos preços do petróleo, incluindo a zeragem de impostos e subsídios para diesel e gás de cozinha. O cenário de escalada de preços é influenciado pela guerra no Irã, que afeta a cadeia produtiva.
Angélica Laureano, até então diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade, assume a diretoria de Logística, Comercialização e Mercados. William França, diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, acumulará temporariamente as funções de Laureano.
Schlosser, engenheiro químico e advogado, estava na Petrobras desde 1987 e na diretoria desde março de 2023.
O Conselho de Administração elegeu Marcelo Weick Pogliese como novo presidente do colegiado, substituindo Bruno Moretti. Pogliese foi indicado pelo governo, acionista controlador da empresa. O nome de Guilherme Santos Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, também foi indicado para a presidência do conselho.