Rui Costa deixou o comando da Casa Civil na última quinta-feira (03/04/2026), após três anos e três meses no cargo. Sua saída ocorre em meio a um cenário de desgastes na Esplanada dos Ministérios e com seu nome distante da disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula.
Durante sua gestão, Costa adotou um estilo de articulação e cobrança dura, comparado ao de Dilma Rousseff em seus primeiros anos no cargo. No entanto, diferentemente de Dilma, que possuía uma visão estratégica mais acentuada, Rui Costa foi visto por petistas como um "ministro checklist", focado em acompanhar prazos e garantir a execução de projetos.
A nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sob sua responsabilidade, não se consolidou como uma marca forte do governo Lula. Cortes orçamentários direcionaram os investimentos para intervenções locais, com potencial eleitoral, em detrimento de grandes obras de infraestrutura, como ferrovias e hidrelétricas, que marcaram edições anteriores do programa.
Apesar dos atritos, Rui Costa manteve a confiança de Lula, conquistada pela dedicação ao trabalho e pela capacidade de filtrar projetos inconsistentes. No entanto, sua atuação nos 39 meses à frente da Casa Civil, marcada por embates com ministros como Fernando Haddad, Carlos Fávaro, Márcio França, Silvio Costa Filho, Wellington Dias e Carlos Lupi, comprometeu sua projeção nacional.
Com planos de seguir a trajetória de Dilma Rousseff e alçar voos mais altos na política nacional, Rui Costa viu seus objetivos frustrados. A anulação das condenações de Lula na Lava-Jato em 2021 e a própria candidatura de Lula à reeleição em 2022 enterraram suas aspirações presidenciais.
Agora, Rui Costa mira uma candidatura ao Senado e planeja um retorno ao governo da Bahia em 2030. Sua saída da Casa Civil abre espaço para que nomes como Fernando Haddad e Camilo Santana se consolidem como alternativas mais viáveis dentro do PT para a sucessão de Lula a partir de 2030. Espera-se que Mirian Belchior, com sua vasta experiência em gestão pública, mantenha a linha de atuação firme na pasta.