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sábado, 24 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Plano Administrativo do STF Travado por Divergências Internas

Plano estratégico do STF tem aprovação suspensa após pedido de vista de Gilmar Mendes. Divergências sobre código de conduta expõem atritos entre ala de ministros e presidente Edson Fachin. Escândalos recentes e divisão interna marcam o momento da Corte.

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Plano Administrativo do STF Travado por Divergências Internas

Um plano estratégico de longo prazo para o Supremo Tribunal Federal (STF) teve sua aprovação suspensa no dia 31 de março após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. O documento, intitulado “Plano estratégico de longo prazo”, detalha a missão, visão, valores e objetivos da Corte para o período de 2026 a 2031.

A divergência surgiu a partir do item “valores”, que sugeria a adoção de mecanismos para gestão de riscos de integridade. Ministros como Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin retiraram seus votos após um deles interpretar que a medida poderia permitir a implementação de um código de conduta sem a aprovação unânime do plenário.

O pedido de vista de Mendes, decano do STF, é visto nos bastidores como um sinal de atrito entre uma ala da Corte e o presidente, Edson Fachin. Fachin tem defendido a aprovação de um código de conduta para os membros do tribunal ainda este ano, o que tem gerado desconforto entre alguns magistrados.

No dia seguinte à suspensão do julgamento, Flávio Dino publicou nas redes sociais sobre a importância do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na promoção da ética na Magistratura, uma declaração interpretada como uma indireta a Fachin.

O STF emitiu nota afirmando que as ações de integridade institucional são uma agenda contínua da Corte e que o Plano Estratégico é um instrumento de planejamento, não se confundindo com iniciativas normativas específicas. O plano foi descrito como construído de forma técnica e colaborativa.

No início do ano, Fachin designou a ministra Cármen Lúcia para elaborar uma proposta sobre novas regras de ética, com apoio de André Mendonça e Luiz Fux. Dias Toffoli condicionou seu apoio à divulgação das declarações de Imposto de Renda de empresas e familiares, enquanto Kassio Nunes Marques aguarda o teor da proposta.

As divergências sobre o código de conduta foram acentuadas por recentes escândalos envolvendo o STF, como o do Banco Master, que levantou suspeitas sobre a atuação de ministros e seus familiares. Esses episódios pressionaram Fachin a priorizar a criação de regras claras de transparência e comportamento.

A Corte estaria dividida em núcleos de influência. Um liderado por Alexandre de Moraes, com apoio de Dino, Zanin e Mendes. Outro, encabeçado por Fachin e Cármen Lúcia, que defendem a moralização e a investigação de suspeições de ministros, com alinhamento de Fux e Mendonça. Kassio Nunes Marques oscila entre os grupos, e Dias Toffoli se distanciou após o vazamento de uma conversa reservada.

As disputas internas no STF, que antes ocorriam em julgamentos pontuais, ganham nova dimensão após o período de coesão em função dos atos de 8 de janeiro, revelando desconfianças e disputas por protagonismo.

Fonte: O Globo

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