Pesquisas qualitativas sobre o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na TV Globo na sexta-feira, 23 de outubro, apontaram aprovação à reação do presidente ao ser chamado de "nove dedos" e às propostas do senador para a segurança pública. Os levantamentos também registraram críticas ao aparente cansaço de Lula e à confusão de Flávio ao trocar o nome da mãe de Ana Clara pelo da própria filha.
Segundo Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, parte dos participantes considerou Flávio mais consistente no confronto. A avaliação positiva foi acompanhada, porém, pela percepção de que o senador apresentou respostas ensaiadas e pouco espontâneas.
Para Meirelles, Lula ganhou apoio ao transformar a provocação sobre sua mão em um relato sobre sua trajetória como trabalhador. A cobrança de desculpas também foi apontada como um dos momentos de maior aprovação do presidente em outro levantamento, que ouviu 80 eleitores divididos em oito grupos.
As críticas a Lula se concentraram principalmente em sua postura durante o debate. Participantes o descreveram como cansado, com pouca energia e dificuldade para administrar o tempo das respostas.
Flávio teve avaliações positivas ao defender a redução da maioridade penal e o endurecimento das punições, segundo o Locomotiva. No estudo com 80 eleitores, as propostas mais bem recebidas foram as voltadas às regiões Norte e Sul, incluindo reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação, investimentos contra enchentes no Rio Grande do Sul e melhorias nas rodovias de Santa Catarina.
Os dois levantamentos registraram reação negativa ao episódio envolvendo Ana Clara, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em Niterói, em 2021. Ao ser questionado por Lula sobre sua atuação na defesa do policial militar acusado pelo disparo, Flávio tentou se solidarizar com a mãe da criança, presente na plateia, mas a chamou pelo nome da filha.
A confusão foi considerada o pior momento de Flávio entre os 80 participantes e teve repercussão especialmente negativa entre as mulheres nos grupos do Locomotiva. As referências frequentes do senador ao uísque e seus apelos à religião também foram associados a desgaste.
Os estudos indicaram que a avaliação do desempenho não se converteu necessariamente em intenção de voto. No levantamento com 80 participantes, 60 deles, ou 75%, continuaram sem definir o voto ao fim do debate; os demais se dividiram entre Lula e Flávio.
De acordo com Meirelles, alguns indecisos se aproximaram de Lula por considerarem mais seguro manter uma figura conhecida no comando do país, mas isso não significou mudança na intenção de voto. Os participantes também demonstraram maior interesse por temas como emprego, salário, preço dos alimentos e segurança pública, enquanto ataques pessoais e acusações de corrupção foram mal recebidos.
As pesquisas qualitativas não representam estatisticamente o eleitorado. Elas buscam identificar percepções e motivações dos participantes, sem estimar nacionalmente o número de eleitores indecisos.
Fonte: O Globo