O preço do querosene de aviação (QAV) sofrerá um reajuste de até 56,3% a partir desta quarta-feira, somando-se aos 9,4% de março. O combustível, que já representava pouco mais de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas, passará a responder por 45%, segundo alerta da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
A consequência imediata, segundo a entidade, será a interrupção na expansão da oferta de voos. "A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aérea", afirma a Abear em nota.
A associação destaca que, apesar de mais de 80% do QAV consumido no Brasil ser de produção nacional, o preço segue a lógica do mercado internacional de petróleo. Assim, o mercado doméstico sofre com choques externos, como a atual tensão no Oriente Médio. A Petrobras planeja autossuficiência em diesel em cinco anos.
O aumento ocorre em um momento de recordes no transporte aéreo brasileiro, com alta demanda por mais frequências e destinos. O encarecimento do combustível vai na contramão desse avanço. A alta do querosene freia expansão de voos no Brasil.
Para amenizar o impacto, a Abear defende mecanismos para reduzir os efeitos da alta do QAV, garantindo o desenvolvimento do setor aéreo.
A Petrobras informou que permitirá o pagamento escalonado do reajuste do QAV pelas distribuidoras. Empresas que aderirem ao programa pagarão 18% em abril, com o restante parcelado em seis vezes a partir de julho. A estatal justificou a medida como forma de preservar a demanda e o bom funcionamento do mercado.
O governo estuda zerar o IOF sobre empresas aéreas e reduzir PIS/Cofins do combustível para evitar alta de 20% nas passagens, estimada por técnicos. O Governo prevê gasto de até R$ 4 bilhões com subsídio ao diesel.