Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou nesta terça-feira (31) ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O envio ocorre 130 dias após o anúncio da indicação, um recorde de demora que gerou atritos com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
O atraso, que ultrapassou quatro meses, é significativamente maior que os intervalos recentes. Em mandatos anteriores, Lula levou 11 dias para indicar Cristiano Zanin e, no caso de Flávio Dino, a formalização foi imediata. O recorde anterior pertencia a André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, com 21 dias.
A demora de Lula em formalizar a indicação de Messias coincidiu com um período de distanciamento político entre o Planalto e Alcolumbre. Aliados do senador relataram constrangimento no fim do ano passado, quando um calendário para a sabatina foi anunciado, mas não avançou pela ausência da mensagem presidencial. Parlamentares da oposição sugeriram que a análise da indicação fosse adiada para após as eleições de outubro.
Nos bastidores, Alcolumbre teria preferido o nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para a vaga. A insistência do Planalto em Messias teria ampliado o desgaste com o governo, tornando o contato direto entre Lula e Alcolumbre mais esporádico.
Apesar dos ruídos políticos, apoiadores de Messias afirmam que ele já conversou com 75 dos 81 senadores. Alguns parlamentares, no entanto, condicionaram o encontro à formalização do processo pelo Planalto.