A Justiça do Rio suspendeu, na noite de quinta-feira (27/03/2026), um decreto do ex-governador Cláudio Castro que concedia superpoderes à Secretaria estadual da Casa Civil. A decisão, assinada pela desembargadora Cristina Tereza Gaulia, atendeu a um pedido do PSD e impediu que a pasta, sob o comando de Marco Simões, realizasse nomeações e exonerações sem o aval do governador em exercício. A medida de Castro, último ato antes de renunciar, visava permitir que aliados influenciassem na sucessão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e na disputa pelo cargo de governador em mandato-tampão.
A decisão judicial apontou que o decreto de Castro delegava competências exclusivas do governador, como o controle de nomeações e exonerações, além da gestão orçamentária e financeira do estado. A magistrada destacou a necessidade de prudência em um momento de instabilidade institucional no Rio.
Antes da suspensão, a Casa Civil já havia publicado 125 exonerações. As secretarias de Educação e o Detran-RJ foram as mais afetadas, com um total de 51 demissões. Órgãos onde o deputado cassado Rodrigo Bacellar (União) tinha influência também sofreram alterações, como a Secretaria de Energia e Economia do Mar, com 26 demissões, e a de Governo, com 5. O governo estadual negou que as exonerações tivessem motivação política e afirmou que os atos seguiam um fluxo administrativo rigoroso.
A disputa pela presidência da Alerj e pelo governo do estado também gerou denúncias de pressão sobre prefeitos e deputados para que votassem em Douglas Ruas (PL), candidato apoiado pelo governo. Parlamentares relataram que cargos eram oferecidos como moeda de troca e que aliados de Ruas teriam recebido vagas em órgãos como o Detran-RJ e a Secretaria de Educação. O PDT e outros partidos de esquerda articulam novas medidas judiciais para investigar o suposto uso da máquina pública.
Em paralelo, a Alerj iniciou o desmonte da estrutura ligada a Rodrigo Bacellar, exonerando dezenas de assessores comissionados de seu gabinete. A decisão cumpre determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a perda de mandato do parlamentar.