A Ferrari e outras montadoras de supercarros de luxo, como Porsche e Rolls-Royce, estão recorrendo ao transporte aéreo para entregar veículos a clientes no Oriente Médio. A medida visa contornar as restrições logísticas impostas pela guerra no Oriente Médio, que interrompeu o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
A Ferrari, por exemplo, intensificou o transporte aéreo de modelos altamente personalizados, mesmo com os custos elevados, que agora podem ser de quatro a cinco vezes maiores que o frete marítimo. A montadora italiana havia suspendido a maior parte das entregas para o Golfo devido à impossibilidade de acesso de navios transportadores de veículos à região.
Embora o transporte aéreo para entregas rápidas já fosse uma opção para clientes ultrarricos antes da escalada do conflito, o custo agora é significativamente mais alto. A Freightos, plataforma de dados logísticos, aponta um aumento de dois terços no preço médio de transporte de carga da Europa ao Oriente Médio desde o início da guerra.
Outras marcas, como a Bentley, afirmam estar utilizando estoques regionais para atender aos pedidos, enquanto a Rolls-Royce declarou estar fazendo o possível para viabilizar as entregas, sem detalhar a logística. O Oriente Médio é uma região estratégica para essas montadoras devido ao alto nível de personalização demandado pelos clientes, que representa cerca de 20% da receita da Ferrari.
O conflito também afeta as vendas e a entrada de novos pedidos. Algumas montadoras europeias relataram queda no fluxo de clientes e suspensão de planos de expansão na região. Executivos temem que, caso o conflito se prolongue, veículos destinados ao Oriente Médio precisem ser redirecionados para outros mercados, como o Japão, o que poderia impactar a lucratividade.
A crise atual se soma a outros desafios para o setor de luxo, como tarifas mais altas nos Estados Unidos e a desaceleração das vendas na China, mercados onde as marcas também apostavam para compensar perdas.
Fonte: O Globo