A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi encerrada nesta sexta-feira (27) sem a aprovação de um relatório final. Após sete meses de investigação, o parecer do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que pedia o indiciamento de 216 pessoas, foi rejeitado pela maioria dos membros da comissão por 19 votos a 12. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou o fim dos trabalhos e afirmou que um relatório alternativo, elaborado pela base governista, não seria apreciado.
O relatório rejeitado incluía nomes como o empresário Maurício Camisotti, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ex-ministros, ex-dirigentes do INSS, parlamentares e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o relator, Lulinha teria recebido repasses de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, por meio de uma empresária também indiciada.
O parecer alternativo da base governista, que pedia o indiciamento de 201 pessoas, citava o ex-presidente Jair Bolsonaro como comandante de suposta organização criminosa e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por organização criminosa. A CPMI investigava descontos indevidos em benefícios do INSS e supostas ligações do Banco Master com fraudes em empréstimos consignados.
A sessão que encerrou os trabalhos durou mais de 15 horas, começando na sexta-feira (27) e terminando na madrugada de sábado (28). A decisão de encerrar a comissão sem relatório ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar, na quinta-feira (26), a prorrogação dos trabalhos.
Apesar do encerramento, o senador Carlos Viana informou que cópias do relatório rejeitado serão encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e ao STF. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) declarou que o documento da base governista será levado à Polícia Federal.