O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (26) que a política monetária conservadora adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e o perfil exportador de petróleo colocam o Brasil em uma posição mais confortável para avaliar os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia local. No entanto, Galípolo alertou para o risco de efeitos mais duradouros no aumento de preços devido a restrições na oferta de petróleo e outros produtos, em decorrência dos ataques no Oriente Médio. Ele ressaltou a necessidade de atenção à transmissão desses choques para outros setores, especialmente em um momento de resiliência da atividade econômica brasileira.
"A posição que o BC do Brasil está hoje tem alguns benefícios por ser exportador líquido de petróleo e por conservadorismo dos juros", disse Galípolo, acrescentando que a cautela permitiu ao país acumular uma "gordura" para analisar os desdobramentos do conflito. Ele comparou a situação atual com outros choques de oferta recentes, como a pandemia de Covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia, que ensinaram aos banqueiros centrais a dificuldade de considerar tais efeitos como transitórios.
Galípolo destacou que a incerteza gerada pelo conflito no Oriente Médio reduz a confiança do Banco Central nas projeções de inflação de longo prazo. Atualmente, a meta é de 3% para o terceiro trimestre de 2027, com projeção atual de 3,3%. A autoridade monetária iniciou cortes na taxa Selic em março, com redução de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, mas deixou em aberto os próximos passos do ciclo de cortes devido à alta incerteza.
O presidente do BC também ponderou que, diferentemente de choques de demanda, o atual choque de oferta tende a gerar mais inflação e menos crescimento. "Temos uma tendência no Brasil em estabelecer uma correlação positiva entre preços de petróleo e crescimento, mas isso geralmente decorre de uma pressão de demanda nos preços de petróleo, não é a natureza desse choque agora", concluiu.
Fonte: O Globo