O Senado aprovou por unanimidade o projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo. A decisão contou com o voto favorável do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que contrasta com a posição de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e de outros nomes da direita e do campo bolsonarista. O texto, que agora segue para a Câmara dos Deputados, prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e multa para a injúria motivada por ódio ou aversão ao gênero feminino.
Eduardo Bolsonaro criticou o projeto em suas redes sociais, classificando-o como uma tentativa de "sequestrar o movimento conservador bolsonarista para uma agenda ideológica antinatural e agressivamente antimasculina". Outros parlamentares da direita, como Júlia Zanatta (PL-SC), Bia Kicis (PL-DF) e Nikolas Ferreira (PL-MG), também manifestaram oposição, argumentando que o projeto pode "dividir" homens e mulheres e enfraquecer a família.
Por outro lado, senadoras como Damares Alves (Republicanos-DF) votaram a favor, embora tenham ressaltado a importância de garantir que o texto não seja mal escrito e possa perseguir cidadãos. Especialistas em Direito Digital ouvidos pelo GLOBO apontam que o novo enquadramento tende a endurecer a resposta penal e dificultar a impunidade para manifestações misóginas, mesmo em ambiente online.
A relatora do projeto no Senado foi Soraya Thronicke (Podemos-MS). A proposta define misoginia como a "conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres", punindo sua manifestação concreta, e não o pensamento.