O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, admitiu nesta quarta-feira (19) ter prestado serviços de advocacia ao Banco Master. A declaração, feita em nota à revista Piauí, contradiz afirmações anteriores do próprio Rueda ao jornal O Globo, onde ele declarou ter apenas "contatos sociais eventuais" com Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.
À revista Piauí, Rueda detalhou que seu escritório, Rueda & Rueda, realizou "dezenas de pareceres e centenas de reuniões, incluindo mais de 1.000 audiências, cerca de 20 mil protocolos e aproximadamente 400 acordos" para o banco. Os valores dos serviços não foram divulgados. Rueda classificou a atuação como "atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país", realizada "em caráter estritamente técnico" e "dentro dos mais rigorosos padrões legais e éticos".
A nota enviada ao GLOBO na terça-feira (18) afirmava que o dirigente partidário não possuía "qualquer relação" com Vorcaro, "além de contatos sociais eventuais".
A revista Piauí citou dois casos específicos em que o escritório de Rueda representou o banco. Em outubro de 2024, Rueda atuou na defesa do Master em um processo movido pelo Instituto Defesa Coletiva, que pede R$ 48,5 milhões por suposta contratação de crédito consignado sem autorização de clientes. Em março de 2023, a tesoureira do União Brasil e irmã de Antonio Rueda, Maria Emília Rueda, representou o banco em uma ação referente à limitação de descontos em contracheque de uma aposentada.
Investigações sobre o caso também incluem uma troca de mensagens entre o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Daniel Vorcaro, que mencionam uma suposta reunião com Rueda durante negociações da venda do BRB. Além disso, um e-mail indica que uma empresa de Vorcaro providenciou um helicóptero para Rueda e o presidente do PP, Ciro Nogueira, após um evento da Fórmula 1 em São Paulo.
Fonte: O Globo