Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam a possibilidade de conceder prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, considerando a medida como uma forma de proteger a própria Corte. A avaliação surge em meio ao agravamento do estado de saúde de Bolsonaro e aos potenciais desdobramentos políticos do caso.
Fontes indicam que pelo menos quatro ministros veem a domiciliar como um escudo institucional. A manutenção da prisão em unidade militar, diante de relatos de pneumonia, poderia expor o STF a um alto custo político em caso de piora clínica do ex-presidente.
A discussão ganhou força após o quadro de saúde de Bolsonaro acender um alerta na Corte. A adoção da domiciliar, nesse contexto, poderia reduzir tensões e mitigar riscos ao afastar o tribunal do centro de uma crise.
No entanto, não há consenso no Supremo. Ministros contrários à medida argumentam que o caso de Bolsonaro não se compara ao de Fernando Collor, cuja domiciliar foi embasada em laudos médicos específicos que não se aplicam ao caso atual. A perícia da Polícia Federal não indicou necessidade de tratamento em casa, e Bolsonaro já descumpriu medidas cautelares anteriormente, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A decisão final caberá ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que ainda não sinalizou seu posicionamento.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses em regime fechado, após condenação por tentativa de golpe de Estado. Ele está internado em um hospital de Brasília desde a última sexta-feira, após passar mal em sua unidade prisional.
Em paralelo, membros do governo e do PT veem a prisão domiciliar de forma positiva, sob reserva. Há o temor de que uma piora clínica de Bolsonaro na prisão possa gerar comoção popular e afetar eleitores indecisos, potencialmente beneficiando a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Governistas entendem que reveses na saúde do ex-presidente podem ser atribuídos a Moraes e ao presidente Lula.
A fragilidade de saúde de Bolsonaro é considerada inegável. A domiciliar, com o conforto do lar e convívio familiar, poderia diminuir a comoção popular em caso de novas hospitalizações ou agravamento do quadro.
Nos bastidores do governo, cogita-se que a decisão de Bolsonaro ir para casa poderia ser um gesto de Moraes para reduzir a temperatura política, especialmente após desgastes relacionados ao escândalo do Banco Master. Contudo, o entorno de Lula pondera o risco de Bolsonaro retomar amplo contato com o mundo político e fortalecer a campanha de seu filho.