O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) definiu o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), como seu indicado para vice em uma eventual chapa ao governo de Minas Gerais. A escolha diverge dos planos do vice-governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato a sucessor do governador Romeu Zema (PSD), que almeja ser o único nome da direita na disputa.
Falcão foi anunciado por Cleitinho como seu escolhido durante evento de filiação do senador ao Republicanos. Falcão elogiou a experiência de Falcão na AMM, entidade que reúne 837 dos 853 municípios mineiros, destacando seu conhecimento da realidade local.
"Eu queria muito, do fundo do meu coração, se eu for candidato a governador, que quem possa ser não o meu vice, mas um governador junto comigo, seja o Falcão. Ele é o prefeito que sabe onde está o buraco, que conhece o problema na fila do hospital, que sabe a questão da segurança, onde uma mulher é roubada e estuprada todos os dias. O dinheiro tem que ser fortalecido nos municípios", declarou Cleitinho.
Falcão e Simões já demonstraram atritos. Em janeiro, a esposa de Falcão, a deputada estadual Lud Falcão (Podemos), relatou ter recebido uma ligação de Simões com tom de ameaça. Segundo Lud, o vice-governador disse que "fecharia as portas do Executivo" para os dois caso o prefeito não pedisse desculpas ao vice-governador. O desentendimento ocorreu após um comentário irônico de Simões sobre um prefeito que teria oferecido "dois estagiários" para ajudar a Polícia Militar.
Falcão classificou o comentário de Simões como ofensa e afirmou que o vice-governador "não está sabendo o que realmente se passa nas cidades de Minas fora da capital". Após o episódio, Falcão relatou o rompimento de contatos institucionais com Simões e o corte de contratos de capacitação da AMM com o governo estadual.
Apesar dos conflitos, Falcão expressou respeito por Simões e defendeu a unificação da direita em Minas, ressaltando a liderança de Cleitinho nas pesquisas. A possibilidade de uma aliança entre o senador e o vice-governador não é descartada por nenhum dos lados.
Cleitinho afirmou que tratará de sua campanha em maio ou junho. Contudo, após aval das cúpulas do Republicanos, tem replicado conteúdo sobre o projeto. Ele também busca articulações com o campo bolsonarista, chegando a oferecer apoio ao deputado Nikolas Ferreira (PL) em sua disputa pelo governo, proposta que não interessou a Ferreira, que buscará a reeleição na Câmara.
Na Assembleia Legislativa, deputados do PL defendem o apoio a Cleitinho. Aliados de Simões avaliam que ele ganhará projeção com a saída de Zema do governo em 22 de março. O vice-governador criticou o Republicanos pela situação de seu presidente estadual, o deputado federal Euclydes Pettersen (MG), investigado pela Polícia Federal.
Simões chegou a considerar o irmão de Cleitinho, Gleidson Azevedo (PL), prefeito de Divinópolis, para a vice, mas sua principal opção é a vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé (Novo).
Fonte: O Globo