A Agência Internacional de Energia (AIE) sinalizou nesta segunda-feira (15) que países ricos podem liberar mais reservas estratégicas de petróleo, caso seja necessário. A declaração foi feita pelo diretor-executivo da entidade, Fatih Birol, em resposta à crise de fornecimento causada pela guerra no Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
A AIE já autorizou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência na semana passada, o que representa um terço do total disponível. Mesmo com essa medida, os preços do petróleo continuaram a subir devido à escalada das tensões.
Birol afirmou que, somando as reservas governamentais e privadas, ainda há mais de 1,4 bilhão de barris disponíveis, o que permitiria novas intervenções. No entanto, ele ressaltou que a liberação de estoques é apenas um paliativo temporário.
“A coisa mais importante para o retorno de fluxos estáveis de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz”, declarou Birol, em vídeo publicado pela agência. A guerra no Irã, segundo a AIE, causou a maior interrupção na história do mercado de petróleo, com a produção global reduzida em pelo menos 8 milhões de barris por dia.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial, teve seu tráfego drasticamente reduzido, operando a menos de 10% dos níveis anteriores à crise. A agência não prevê desescalada ou recuperação dos fluxos em curto prazo.
Os preços do petróleo, que chegaram a quase US$ 120 o barril após o conflito, recuaram para cerca de US$ 100 após a liberação de 400 milhões de barris. A notícia de um navio não iraniano atravessando o estreito com o transponder ativado levou os preços a caírem mais de 5% na terça-feira (16).
Colômbia, Índia, Cingapura, Tailândia e Vietnã são alguns dos países que se mostraram dispostos a apoiar novas liberações de estoques, segundo Birol.