O dólar Ptax subiu 9,2% nesta segunda-feira (26), para R$ 5,4998, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi a maior valorização diária da moeda desde a crise financeira global de 2008.
No mercado comercial, o dólar fechou a R$ 5,40, com alta de 8,2%, após abrir em avanço de 8,65%, a R$ 5,42. A Ptax é a taxa média calculada pelo Banco Central ao longo do dia.
Segundo analistas citados na análise da consultoria Elos Ayta, o movimento representa um ajuste de preços diante da mudança nas expectativas eleitorais, e não uma crise cambial como a de 1999 ou uma turbulência financeira global como a de 2008.
Entre o primeiro e o segundo turno, o dólar Ptax havia recuado de R$ 5,2232, em 3 de outubro, para R$ 5,0371 na sexta-feira anterior, queda de 3,56%. Analistas projetavam a vitória de Flávio Bolsonaro, considerado pelo mercado financeiro mais disposto a promover um ajuste fiscal nas contas públicas.
O levantamento da Elos Ayta mostra que oito das dez maiores altas diárias do dólar Ptax desde o início do Plano Real, em junho de 1994, ocorreram em 1999 e 2008. Em 15 de janeiro de 1999, a moeda avançou 11,10%, maior alta da série, em meio ao abandono do sistema de bandas cambiais e à adoção do câmbio flutuante.
Na crise cambial de 1999, o dólar também subiu 8,91% em 13 de janeiro, 6,61% em 26 de janeiro e 5,51% em 21 de janeiro. O período foi marcado por saída de capitais, redução das reservas internacionais e desconfiança sobre a sustentação do regime cambial.
Em 2008, a maior alta ocorreu em 8 de outubro, quando o dólar Ptax subiu 9,33%. Também figuram no ranking as altas de 7,79% em 22 de outubro, 5,98% em 6 de outubro e 5,41% em 29 de setembro, durante a crise financeira internacional agravada pela quebra do Lehman Brothers.
Fora de 1999 e 2008, duas datas aparecem entre as dez maiores altas: 18 de maio de 2017, quando o dólar Ptax avançou 8,79% após a divulgação de uma gravação envolvendo o então presidente Michel Temer, e 16 de agosto de 2007, quando a moeda subiu 5,39% em meio às turbulências da crise do crédito imobiliário de alto risco nos Estados Unidos.
Fonte: O Globo