O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou nesta quarta-feira (11/03/2026) que a possibilidade dos Estados Unidos em classificar facções brasileiras como o PCC e o CV como organizações terroristas representa uma "oportunidade". A declaração ocorreu após agenda no Metrô de São Paulo.
A gestão de Donald Trump sinalizou que considera os grupos criminosos uma "ameaça significativa à segurança regional". Tarcísio avalia que a classificação facilitaria a cooperação entre os países, integrando inteligência e recursos financeiros para um combate mais efetivo. Ele também afirmou que "o Brasil quer cooperar com os Estados Unidos no combate ao terrorismo", mas que a decisão final caberá ao governo brasileiro. Tarcísio vê como "oportunidade" apoio dos EUA para classificar PCC e CV como terroristas.
Em nota ao GLOBO, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que o PCC e o CV estão entre as organizações que preocupam autoridades de segurança no hemisfério, devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional.
A posição americana levanta debates sobre a soberania nacional, com formuladores da política externa brasileira defendendo o aprofundamento da cooperação em segurança, mas preservando a soberania.
Especialistas divergem sobre a classificação. O professor de Direito Penal Thiago Bottino, da FGV-RJ, argumenta que organizações criminosas e grupos terroristas possuem motivações distintas, sendo o foco principal das facções a obtenção de lucros, e não a contestação política.
Já o cientista político Maurício Santoro, da UERJ, sugere que a medida dos EUA pode abrir brechas para intervenção militar no combate ao crime organizado no continente americano, citando exemplos como o caso do Tren de Aragua, na Venezuela.