As investigações sobre o Banco Master intensificam a pressão sobre a cúpula do União Brasil em pleno ano eleitoral. Parlamentares ligados à legenda estariam envolvidos em esquemas e relações próximas com o dono da instituição, Daniel Vorcaro, levantando temores de que o caso se torne munição para adversários políticos.
A participação de figuras proeminentes do partido no centro do escândalo ganha contornos mais graves com as recentes revelações. O presidente da sigla, Antonio Rueda, teve diálogos extraídos do celular de Vorcaro, enquanto uma empresa ligada ao vice-presidente nacional e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag. Esses repasses, segundo Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf, ocorreram entre março de 2023 e maio de 2024.
ACM Neto confirmou os pagamentos, alegando que se referem a serviços de consultoria prestados à sua empresa, A&M Consultoria Ltda., da qual é sócio com a esposa. Ele afirma que os contratos foram formais e os serviços, como análise da agenda político-econômica nacional, foram efetivamente prestados. No mesmo período, ACM Neto recebeu R$ 4,9 milhões de sua própria empresa, que, segundo o RIF, movimentou recursos acima de sua capacidade financeira declarada.
A ligação entre Vorcaro e Rueda também veio à tona com a descoberta de que uma empresa ligada ao banqueiro reservou um helicóptero para transportar o presidente do União Brasil após um evento de Fórmula 1. Em outras conversas, Vorcaro menciona encontros com Rueda, que não teriam ocorrido.
O escândalo atinge ainda aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Jolcildo Lemos, ex-diretor da Amprev e aliado de Alcolumbre, foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal em uma operação que investiga suspeitas de fraudes na gestão do fundo, que destinou R$ 400 milhões ao Banco Master. A investigação aponta que gestores ignoraram alertas e pressionaram para que o aporte fosse realizado.
Decisões em fundos de previdência do Rio de Janeiro, com gestões ligadas ao União Brasil, também estão sob escrutínio. Mais de R$ 1 bilhão foram aplicados em papéis do Banco Master por dirigentes de fundos como Rioprevidência e Itaguaí (Itaprevi), entre novembro de 2023 e julho de 2024.
A Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro deste ano, investiga especificamente os aportes do Rioprevidência, que aplicou cerca de R$ 970 milhões em títulos do Banco Master, suspeitando-se de crimes como gestão fraudulenta e desvio de recursos.
A situação se complicou com a prisão do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, por suspeita de obstrução de Justiça e ocultação de provas. Durante a operação, R$ 429 mil em dinheiro vivo e dois carros de luxo foram apreendidos. O caso Master, com aportes milionários de diversas previdências estaduais, evidencia as profundas relações políticas de Daniel Vorcaro e os riscos envolvidos.
Fonte: O Globo