As ações da Companhia Brasileira de Distribuição (GPA), dona da rede Pão de Açúcar, registraram queda de mais de 8% no pregão desta terça-feira. A desvalorização ocorreu após a empresa anunciar um acordo com credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. Por volta das 10h09, os papéis do grupo caíam 8,7%, cotados a R$ 2,79.
O plano abrange R$ 4,5 bilhões em obrigações, excluindo dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas. O acordo foi firmado com credores que detêm 46% dessa dívida, o equivalente a R$ 2,1 bilhões. O percentual mínimo para aprovação da reestruturação é de um terço dos créditos afetados.
Segundo o GPA, o plano tem efeitos imediatos e prevê a suspensão das obrigações junto aos credores afetados, criando um ambiente seguro para negociações por 90 dias. Nesse período, a empresa buscará o apoio dos demais credores.
O GPA enfrenta um cenário de R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo em 2026 e capital circulante negativo de R$ 1,22 bilhão. Analistas indicam a necessidade de empréstimos, aumento de capital ou venda de ativos para reequilibrar as finanças.
A empresa assegura que a operação das lojas não será afetada e que está em dia com fornecedores, clientes e parceiros. A decisão de buscar a recuperação extrajudicial foi aprovada unanimemente pelo Conselho de Administração.
No início do mês, o GPA já havia comunicado negociações com credores para repactuação de dívidas. O grupo contratou o escritório Munhoz Advogados para auxiliar no processo. O setor varejista tem sido impactado pelas altas taxas de juros e endividamento.
Relatórios anteriores já indicavam dificuldades na reestruturação do negócio de alimentos e incerteza sobre a continuidade operacional da companhia. O GPA tem buscado reequilíbrio financeiro através da renegociação de contratos, freio de investimentos e venda de imóveis.