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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ECONOMIA

GPA busca recuperação extrajudicial em meio a crise financeira

Grupo Pão de Açúcar busca recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 4,5 bilhões em meio a dificuldades financeiras e operacionais. Analistas apontam problemas de geração de caixa e alta concorrência no setor.

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O Grupo Pão de Açúcar (GPA) entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para lidar com sua dívida de R$ 4,5 bilhões. A empresa, que desde 2021 passa por um processo de reestruturação focado na venda de ativos não essenciais, como 71 pontos comerciais do Extra Hiper para o Assaí e sua participação na colombiana Éxito, além de imóveis e postos de combustível, arrecadou mais de R$ 1,5 bilhão. Apesar dos esforços, a situação financeira permaneceu delicada, com juros elevados encarecendo o custo da dívida.

Analistas apontam que o problema é financeiro, não operacional. Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, destaca a dificuldade do GPA em expandir margens em um mercado sensível a preço e com forte concorrência. Ele sugere a necessidade de ganhos de eficiência, controle de despesas e uma mudança cultural, ressaltando a migração do consumidor para o atacarejo.

O presidente do GPA, Alexandre Santoro, reconheceu em fevereiro que a empresa não pode passar anos sem gerar caixa e que decisões passadas estão desconectadas da realidade atual, indicando um problema estrutural e cultural. O GPA também iniciou uma arbitragem contra seu antigo controlador, o grupo francês Casino, que detém 22,5% das ações, buscando bloquear a venda ou transferência desses papéis até o fim do processo.

A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 523 milhões no quarto trimestre de 2025 e R$ 651 milhões no acumulado do ano. A XP Investimentos aponta que a geração de caixa após custos financeiros continua sendo o principal gargalo, com a dívida bruta de R$ 4,5 bilhões e a taxa Selic em 15% elevando o custo financeiro. Em 2025, o fluxo de caixa operacional de R$ 1,2 bilhão foi majoritariamente consumido pelo pagamento de juros e outros compromissos financeiros.

A agência Fitch rebaixou a nota de crédito do GPA de 'A' para 'CCC' em fevereiro, considerando insuficientes as ações de revisão de gastos para restabelecer o fluxo de caixa de forma sustentável. A agência avalia que um aporte de recursos seria necessário.

Fonte: O Globo

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