O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI do INSS, anunciou nesta segunda-feira (09/03/2026) que buscará pessoalmente o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para viabilizar a oitiva de Daniel Vorcaro. Vorcaro, atualmente preso em Brasília, é peça-chave para esclarecer sua atuação à frente do banco Master.
Apesar do cancelamento dos depoimentos previstos para a terça-feira, Viana manteve a sessão da comissão. A decisão visa dar espaço para manifestações parlamentares diante do agravamento do escândalo, incluindo a revelação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o próprio Vorcaro, conforme divulgado pelo jornal O GLOBO.
Viana argumenta que Vorcaro não pode ser considerado investigado na CPI, pois o relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) ainda não foi concluído. Este tem sido o ponto central da objeção de Mendonça para impedir a convocação coercitiva de Vorcaro, em contraste com outras testemunhas dispostas a colaborar.
O depoimento de Leila Pereira, CEO da Crefisa e presidente do Palmeiras, foi adiado para a próxima segunda-feira. Inicialmente agendado para esta terça, o adiamento atende a um pedido da própria empresária, que alegou compromissos relacionados a uma vitória esportiva de sua equipe. Sua defesa também citou uma decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que suspendeu a votação de requerimentos e convocações da CPI, incluindo a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva.
O depoimento do CEO do C6, Artur Brotto Azevedo, também foi cancelado sob o mesmo argumento. Já a oitiva do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz, foi remarcada para 23 de março.
Viana expressou frustração com o cenário atual, classificando-o como o momento mais difícil da CPI. Ele apontou que investigações envolvem "pessoas importantes" que utilizam artifícios para evitar o comparecimento, o que, segundo ele, prejudicará o andamento dos trabalhos da comissão. O senador também manifestou sua crença de que o pleno do STF reverterá a decisão de Dino, criticando o que chamou de "decisões monocráticas políticas" que afrontam o Congresso Nacional.
Fonte: O GLOBO