A Transparência Internacional Brasil emitiu um alerta nesta quinta-feira (5) após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido no escândalo do Banco Master. A organização aponta que a detenção de Vorcaro, um desdobramento da Operação Compliance Zero, evidencia a infiltração de organizações criminosas nas mais altas esferas do Estado.
Em nota, a ONG declarou que o crime organizado opera em negócios ilícitos dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Segundo a Transparência Internacional, o crime domina territórios pela força bélica, mas captura o Estado por meio do poder financeiro e da corrupção.
O aliciamento de autoridades, segundo a ONG, ocorre via contratos superfaturados, favores, financiamento ilegal de campanhas e outras formas de suborno e influência indevida. A operação policial revelou que o grupo de Vorcaro agia como uma milícia privada para intimidar e obter informações sigilosas sobre desafetos.
A Polícia Federal detalhou que a organização, apelidada de “A Turma”, possuía núcleos com funções específicas, incluindo articulação financeira, coordenação operacional e acesso indevido a sistemas restritos de órgãos como a PF e o Ministério Público Federal.
A Transparência Internacional-Brasil atribui o avanço da criminalidade ao desmonte de marcos legais e institucionais anticorrupção. A nota cita o fim da lista tríplice para a escolha do Procurador-Geral da República e retrocessos em leis anticorrupção como exemplos.
A ONG aconselha o Brasil a observar países como México, Guatemala e Equador, onde a corrupção sistêmica triunfou e o crime organizado se instalou como poder constituído. A organização pede união das lideranças comprometidas com o combate à corrupção antes que seja tarde demais.
Fonte: O Globo