A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (5), levou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de volta à prisão. A ação, que apura crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, ganhou destaque na imprensa estrangeira. Mensagens atribuídas a Vorcaro sugerem proximidade com autoridades e articulação para atos fraudulentos e violentos.
O jornal El País descreveu Vorcaro como um "magnata cujos segredos estão abalando a classe política brasileira". O veículo lembrou que o ex-banqueiro já havia sido detido em novembro, liberado com tornozeleira eletrônica, mas que a nova ordem prisional se deu pelo risco de fuga e obstrução das investigações. Segundo o jornal, o caso gerou temor em Brasília por uma possível delação, com citações de que "o maior pesadelo agora é que Vorcaro, cada vez mais encurralado, decida revelar tudo e confessar o esquema aos investigadores em busca de clemência". A publicação também apontou que as conexões de Vorcaro alcançam "partidos políticos de todas as matizes".
A investigação aponta que Vorcaro e associados teriam acessado sistemas restritos de órgãos como o Ministério Público, a Polícia Federal e até mesmo agências internacionais, incluindo o FBI e a Interpol.
A rede France24 alertou para um escândalo que ameaça "sacudir o poder na maior economia da América Latina", citando suspeitas de vínculos de Vorcaro com figuras da política e da justiça do país, a poucos meses das eleições gerais.
A agência Ansa destacou que os "laços [de Vorcaro] com poderosos podem abalar a República". A prisão foi determinada pelo ministro do STF André Mendonça, que assumiu o caso após Dias Toffoli, cuja família teve vínculos com pessoas ligadas a Vorcaro. A Ansa também ressaltou o impacto da operação em ano eleitoral, com o potencial destrutivo de uma eventual confissão.
A Reuters informou que investigadores encontraram "fortes indícios" de que Vorcaro tentou subornar um ex-diretor do Banco Central. A operação, segundo a agência, "arrastou a autoridade monetária brasileira para o centro de um escândalo crescente de bilhões de dólares". A agência também citou mensagens onde o ex-banqueiro teria a intenção de "prejudicar violentamente" o colunista Lauro Jardim.
A Associated Press enfatizou que a decisão de prisão de Mendonça citou crimes contra os sistemas financeiro e judiciário, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de "ações de intimidação para proteger os interesses" do grupo.
A Bloomberg cobriu a operação e deu destaque a Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário" de Vorcaro, preso na operação e que teria atentado contra a própria vida na cadeia. O Financial Times noticiou a prisão, definindo Vorcaro como "o dono do banco falido".
Fonte: O Globo