Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, tornou-se um fator decisivo nas eleições brasileiras de 2026. Suas ações recentes, como prender um chefe de Estado inimigo e eliminar outro em dois meses, o colocam no centro das discussões globais, impactando a política externa brasileira e, consequentemente, o cenário eleitoral.
Uma estratégia em estudo pelo Departamento de Estado dos EUA envolve a neutralidade formal em relação ao Brasil, combinada com ações pontuais para beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Entre as medidas cogitadas está a classificação das facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas, além de críticas ao governo brasileiro por seu combate ao tráfico de drogas. O objetivo seria fortalecer o discurso de segurança da direita sem um apoio explícito, evitando reações negativas do eleitorado brasileiro contra a interferência estrangeira.
A política externa brasileira, historicamente um tema secundário nas eleições, ganhou relevância com a imprevisibilidade de Trump. Eventos recentes, como o ataque norte-americano ao Irã e a pressão comercial sobre a União Europeia, demonstram a assertividade de Trump em impor seus interesses. No Brasil, a resposta firme do governo Lula à imposição de tarifas americanas fortaleceu a imagem do presidente, enquanto a família Bolsonaro foi criticada por celebrar os prejuízos de exportadores brasileiros.
A aproximação entre Lula e Trump, inicialmente vista como uma oportunidade para o fim de tarifas e o incentivo a investimentos americanos, esbarra na incerteza das intenções do ex-presidente americano. Diplomatas americanos indicam que o foco pode ser uma neutralidade estratégica, com ações direcionadas a influenciar o resultado eleitoral brasileiro.
Paralelamente, a janela partidária em 2026 acirra a disputa política no Congresso. A migração de deputados entre legendas reflete as apostas dos políticos no desempenho de cada candidato à presidência. O crescimento do PL pode indicar apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto o aumento da bancada de partidos de esquerda sinaliza a aposta na reeleição de Lula. Partidos neutros podem indicar uma eleição presidencial acirrada.
A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular a quebra de sigilos bancário e fiscal da empresa Maridt, ligada ao ministro Dias Toffoli, gerou controvérsia. A medida foi interpretada como uma blindagem entre os ministros da corte, que se sentiriam intocáveis diante do escrutínio público.
O filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, tornou-se um ponto de risco eleitoral para o governo. Investigações da Polícia Federal apuram seu envolvimento em fraudes no INSS, com depoimentos indicando o recebimento de uma mesada de R$ 300 mil de um lobista. A oposição busca material para explorar o caso durante a campanha eleitoral.
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, é cotada para ser porta-voz econômica de Flávio Bolsonaro. Sua nomeação é vista como uma tentativa de atrair apoio de setores moderados, apesar de sua experiência de gestão no governo Bolsonaro.
A oposição pretende usar o debate sobre segurança pública para desgastar o governo Lula. Propostas como a redução da maioridade penal e a proibição do voto de presos provisórios, vistas como inconstitucionais pelo governo, podem ser usadas para reforçar o estigma de que o PT está ao lado dos criminosos.
A semana será agitada com a divulgação de pesquisas eleitorais, votações importantes na Câmara e no Congresso, e o início da janela partidária. O acordo Mercosul-União Europeia e a regulamentação dos direitos de trabalhadores de aplicativos também estarão em pauta.