Representantes de associações de juízes apresentaram argumentos inesperados em defesa de pagamentos acima do teto constitucional, mas acabaram impulsionando o debate pelo fim dos chamados "penduricalhos". O caso ocorreu na quarta-feira (25/02/2026), no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.
Alberto Pavie Ribeiro, da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), alegou que a carreira se tornaria menos "atrativa" com a redução dos salários, que em tribunais como o do Rio de Janeiro podem iniciar em R$ 35,8 mil, sem contar benefícios. A afirmação contrasta com o alto número de inscritos em concursos para magistratura; em março, quase 4 mil candidatos disputarão vagas em cadastro de reserva no TJ fluminense.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), listou queixas como a falta de carros oficiais, o pagamento de combustível e até de água e café do próprio bolso pelos juízes de primeiro grau. A magistrada também criticou o uso do termo "penduricalho" pela imprensa, afirmando que a "magistratura brasileira não recebe penduricalho". Soares recebeu R$ 113,8 mil líquidos de aposentadoria em dezembro de 2025, sendo R$ 48,5 mil de indenizações, segundo o Tribunal Regional do Trabalho.
A criação de portais de transparência, que visava expor os supersalários e gerar constrangimento, mostrou-se insuficiente para conter a reivindicação de verbas acima do teto, atualmente em R$ 46,4 mil. A insistência dos magistrados em manter privilégios contraria a expectativa de que a exposição pública pudesse ser um freio para tais práticas.