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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ELEIÇÕES

Carlos Pereira atribui virada de Lula ao receio do retorno do bolsonarismo

Cientista político Carlos Pereira diz que o eleitor preferiu manter Lula diante do receio de um retorno do bolsonarismo ao poder.

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O cientista político Carlos Pereira, professor da FGV EBAPE, afirmou em entrevista publicada em 26 de outubro de 2026 que a virada de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno ocorreu porque parte do eleitorado considerou o retorno do bolsonarismo uma alternativa mais arriscada.

Segundo Pereira, a mudança não se explica apenas pela redução da abstenção. Ele avalia que também houve migração de votos de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula, especialmente no Sudeste e em Minas Gerais, após uma mobilização intensa nas três semanas finais da campanha.

Para o professor, o primeiro turno expressou o cansaço de parte do eleitorado com a sequência de governos do PT. No segundo turno, porém, o receio de um eventual governo de Flávio Bolsonaro teria levado eleitores insatisfeitos a optar pela continuidade de Lula.

Pereira disse que a disputa entre os dois polos se intensificou depois da vitória de Flávio no primeiro turno. Na avaliação dele, as campanhas passaram a buscar o eleitor que não se identificava com nenhum dos candidatos e era sensível às ações realizadas na reta final.

Sobre o próximo mandato de Lula, o cientista político afirmou que a composição mais à direita do Congresso deve dificultar a articulação do governo. Ele disse que o presidente terá de construir uma nova coalizão e oferecer concessões aos partidos do Centrão, com um custo político maior.

Pereira também avaliou que Lula deverá preparar um sucessor com antecedência. Para a oposição, defendeu a construção de uma alternativa não bolsonarista após duas derrotas consecutivas de candidatos ligados à família Bolsonaro.

Na análise sobre o Judiciário, o professor afirmou que a percepção dominante é de politização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele disse que o Supremo precisará buscar novamente legitimidade perante a sociedade e avaliou que eventuais ajustes no Judiciário devem partir da própria Corte, e não de um Legislativo fragmentado.

Fonte: O Globo

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