O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tenta evitar a indicação de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (PL) como candidatas ao Senado na capital, em articulação para lançar sua própria candidatura à Casa Legislativa. A manobra ocorre em meio a pressões crescentes devido a crises envolvendo o banco Master e o BRB, instituições sob investigação.
A gestão do BRB, banco estatal do DF, é alvo de apuração após negociação com a instituição de Daniel Vorcaro. O próprio Vorcaro, dono do Master, declarou à Polícia Federal em 30 de dezembro ter conversado com Ibaneis sobre a venda da empresa ao BRB. O governador nega irregularidades.
Em Brasília, Ibaneis defende um palanque único e reafirma sua intenção de concorrer ao Senado. Nacionalmente, o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência ainda não está definido pelo governador.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada de Michelle Bolsonaro, criticou Ibaneis pelo caso Master e assinou, junto aos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Leila Barros (PDT-DF), um requerimento para que ele preste esclarecimentos na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O documento acusa Ibaneis de ser "garoto propaganda do banco Master".
O governo do DF busca solucionar um rombo de ao menos R$ 5 bilhões no BRB. A Caixa Econômica Federal negocia a compra de carteiras de crédito do banco distrital para reforçar sua liquidez. Um projeto de lei enviado à Câmara Legislativa autoriza o DF a recompor o patrimônio do BRB por meio de aporte direto, venda de bens públicos ou outras medidas.
Casos semelhantes de articulações de Jair Bolsonaro dificultando alianças ocorreram em outros estados, como em Santa Catarina, onde a definição de candidaturas ao Senado pelo PL gerou insatisfação no senador Esperidião Amin (PP-SC).