A substituição do ministro Dias Toffoli na relatoria do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) não será suficiente para retirar o tribunal do centro das atenções. A mudança, que tem o ministro André Mendonça como novo relator, ocorre em meio a revelações que ligam o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, a repasses de R$ 35 milhões à empresa da família Toffoli. Conversas de 2024 indicam que Vorcaro autorizou os pagamentos pelo resort Tayayá. A investigação aprofundada das relações entre Vorcaro e Toffoli, bem como com outros ministros do STF, é vista como inevitável.
A atuação de Mendonça na relatoria do Caso Master, somada à investigação de fraudes no INSS, o coloca em uma posição de grande poder. Ele também será vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na próxima eleição. A influência de Mendonça se estende a figuras políticas como filhos de Lula, sócios de Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, governadores bolsonaristas e membros do PT baiano.
Mendonça, conhecido por sua discrição, compartilha com o ministro Cristiano Zanin a característica de evitar manifestações públicas e midiáticas. Ele também é sócio do Instituto Iter, que oferece cursos para governos e já recebeu R$ 4,8 milhões em contratos entre 2024 e outubro de 2025. Mendonça tem atuado ativamente em favor da indicação de Jorge Messias para o Supremo, com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Alcolumbre, por sua vez, enfrenta investigações relacionadas ao caso INSS, envolvendo seu ex-assessor Paulo Boudens, e ao Master, devido a um investimento milionário do fundo de pensão dos servidores do Amapá.
No cenário político, a homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o desfile no Sambódromo gerou controvérsia. A representação de evangélicos em uma fantasia foi criticada por reforçar preconceitos e prejudicar a aproximação do governo com esse segmento eleitoral. A oposição já ingressou com ação na Justiça Eleitoral, alegando propaganda eleitoral antecipada.
A campanha de Flávio Bolsonaro à presidência também enfrenta desafios. Sua participação em um evento online com o mercado financeiro, promovido pelo BTG, foi marcada por respostas vagas sobre privatizações e política fiscal, decepcionando os participantes. A falta de um economista de peso, como Paulo Guedes foi para Jair Bolsonaro, e a lembrança de sua derrota na eleição para prefeito do Rio em 2016, fragilizam sua imagem.
Pesquisas recentes indicam a consolidação da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, com um aumento na abstenção entre eleitores independentes. A pesquisa Genial/Quaest aponta Lula com 35% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro com 29%. Em um eventual segundo turno, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro diminuiu consideravelmente em relação a pesquisas anteriores.
O presidente Lula inicia nesta terça-feira (17) uma viagem oficial à Índia e à Coreia do Sul. A viagem à Índia, com uma comitiva de mais de 300 empresários, visa aumentar o comércio entre os países. Lula retorna ao Brasil no dia 25.