A tentativa de acordo entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), articulada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, perdeu força nesta quinta-feira (15), após um impasse sobre canais de WhatsApp administrados por apoiadores.
A equipe jurídica de Lula defende que canais mantidos por parlamentares e apoiadores, como os de André Janones (Rede-MG) e Nikolas Ferreira (PL-MG), não precisem estar formalmente vinculados às campanhas para funcionar. A exigência, segundo essa interpretação, ficaria restrita aos canais oficiais das candidaturas.
Interlocutores da campanha petista avaliam que não há condições para assinar um compromisso de redução da judicialização enquanto a questão permanecer sem solução. A proposta previa que as duas campanhas abrissem mão de ações judiciais contra adversários.
A controvérsia ganhou força após decisões de Nunes Marques que determinaram a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, sob o argumento, entre outros pontos, de que o espaço não estava registrado na Justiça Eleitoral.
Ministros do TSE divergem sobre a necessidade de vinculação formal desses canais. Integrantes da Corte avaliam que as regras eleitorais exigem o registro dos canais oficiais, sem alcançar iniciativas autônomas de apoiadores, parlamentares ou integrantes da sociedade civil.
Representantes jurídicos das duas campanhas se reuniram no TSE na quarta-feira (14) e relataram avanços em alguns pontos, mas disseram que precisariam consultar as respectivas equipes antes de assumir compromissos definitivos. A expectativa era formalizar o entendimento nesta quinta-feira.
A campanha de Flávio se opõe à desvinculação do canal ligado a Janones e afirma que Lula incentiva a participação no espaço. Segundo integrantes da equipe, o presidente grava vídeos ao lado do deputado e já afirmou que criaria “o Exército, a Marinha e a Aeronáutica do Lula no WhatsApp”.
Sobre o canal administrado por Nikolas Ferreira, a campanha de Flávio afirma que o senador não estimulou a participação na lista de transmissão. Segundo a equipe, o único canal formalmente vinculado à campanha é o chamado “Tropa do Flávio”.
Fonte: O GLOBO