O Palácio do Planalto intensificou os esforços para garantir a aprovação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, no Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia envolve negociações com o Congresso, incluindo o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e busca capitalizar a mudança de postura de partidos do Centrão.
Apesar de uma avaliação inicial de que a indicação estava consolidada, o cenário no Senado tornou-se mais favorável nas últimas semanas, segundo interlocutores do Planalto. A articulação inclui a disposição do Congresso em discutir palanques eleitorais e um reposicionamento de partidos do Centrão, que demonstraram neutralidade após a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, cessou os ataques ao governo petista e abriu diálogo com o PT, sinalizando apoio à indicação de Messias. Nogueira teria se reunido com Messias e se comprometido a auxiliar na obtenção de votos no Senado.
Um alinhamento entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é considerado fundamental. Uma nova conversa entre os dois líderes é aguardada antes do envio da mensagem presidencial com a indicação formal de Messias, visando um entendimento político para viabilizar a votação.
O Planalto também trabalha na definição de um palanque eleitoral para Rodrigo Pacheco em Minas Gerais. Aliados de Pacheco admitem que sua candidatura ao governo mineiro poderia melhorar a situação de Messias no Senado, com o parlamentar potencialmente auxiliando na campanha por votos.
Em paralelo, Jorge Messias retoma sua agenda de reuniões com senadores. Até o momento, ele já se encontrou com 73 dos 81 parlamentares. Entre os que ainda precisam ser contatados estão Sergio Moro (União Brasil-PR) e Rogério Marinho (PL-RN).
Durante os encontros, Messias tem ouvido críticas à atuação do ministro Flávio Dino, do STF, especialmente sobre investigações de emendas parlamentares. O indicado à Corte tem defendido a transparência na aplicação de recursos e a importância do trabalho de Dino.
Governistas estimam que o envio da mensagem presidencial com a indicação de Messias ocorra após o carnaval. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), acredita que o cenário se tornará mais claro após o feriado, quando a sabatina poderá ser agendada.
Nos bastidores, o empresário Joesley Batista, da J&F, teria manifestado apoio a Messias e se comprometido a atuar junto a parlamentares para angariar votos.
No STF, aliados de Messias veem um cenário favorável, com o ministro Gilmar Mendes atuando em apoio ao nome do Advogado-Geral. Messias também se colocou à disposição do presidente do STF, Edson Fachin, para colaborar em discussões sobre um código de conduta para ministros.
A escolha de Messias para a vaga de Barroso no STF foi anunciada em novembro. A sabatina na CCJ, inicialmente marcada para dezembro, foi adiada devido à resistência de senadores e ao atraso no envio da mensagem presidencial.
Fonte: O Globo.