O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) não poupou críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após a decisão de transferir seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para uma sala no batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) conhecidamente chamada de “Papudinha”. Essa mudança foi considerada por Carlos como uma forma de privar o pai de um tratamento justo e humano.
A crítica de Carlos Bolsonaro
Em uma postagem nas redes sociais, Carlos Bolsonaro chamou o ambiente a que seu pai foi transferido de “ambiente prisional severo”, em um claro apelo à empatia e à justiça. “Alexandre de Moraes, suas qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante de tamanha maldade praticada contra o último presidente do Brasil que jamais descumpriu uma linha da Constituição e também contra os presos do 8 de janeiro”, mencionou Carlos, referindo-se aos eventos ocorridos em 2021.
Para Carlos, a prisão de Jair Bolsonaro evidencia uma “fragilização de garantias jurídicas fundamentais” e reflete uma “aplicação seletiva do rigor penal”. Ele faz referência direta às condições de saúde e humanas do ex-presidente, destacando que essa transferências vai além de uma decisão judicial, tornando-se um marco simbólico de confronto institucional e afetando todo o conceito de justiça e Estado de Direito no Brasil.
A cela de “Papudinha”
O ex-presidente foi levado para o 19º Batalhão da PM-DF, onde já se encontram outros presos, como o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques. O local, apelidado de “Papudinha”, está situado próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Além das duras críticas, a decisão de Moraes também trouxe algumas condicionalidades. O ministro autorizou que Bolsonaro receba assistência religiosa e participe de um programa de redução de pena através da leitura. Contudo, a solicitação de acesso a uma televisão com acesso à internet (Smart TV) foi negada, o que gerou mais descontentamento entre seus apoiadores.
A condição de Jair Bolsonaro na prisão
Desde novembro, Jair Bolsonaro cumpria pena em uma cela na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo STF devido a uma tentativa de golpe de Estado. Contudo, as condições nesta instalação também geraram críticas entre seus familiares e aliados, principalmente relacionadas ao desconforto causado pelo barulho do ar-condicionado.
Rebatendo críticas de filhos
Minutos após a repercussão das declarações de Carlos, Moraes se defendeu, considerando que há uma “sistemática tentativa de deslegitimar” a forma como a pena está sendo cumprida. Ele fez questão de citar as críticas diretas de Carlos e do senador Flávio Bolsonaro, ressaltando que Carlos demonstrou “total desconhecimento da legislação de execução penal”, ao reclamar da restrição de horário para visitas, e que as críticas de Flávio eram “infundadas” em relação às “condições extremamente favoráveis” que o ex-presidente estaria recebendo no local de detenção.
Essa situação em torno da prisão de Jair Bolsonaro, seu tratamento e a resposta dos seus filhos e aliados, acentua a polarização entre as figuras políticas do Brasil. O futuro do ex-presidente e as repercussões dessa transferência certamente continuarão a gerar discussões acaloradas entre seus apoiadores e opositores.















