Um cenário político em transformação está se desenhando para as eleições de 2026, onde dois terços dos 18 governadores que não poderão se reeleger já manifestam interesse em concorrer a uma das 54 cadeiras do Senado. Essa movimentação é substancialmente maior do que em anos anteriores, indicando um apetite crescente por uma mudança de cargo e status dentro da política brasileira.
Um novo cenário político
Em 2018, apenas três governadores apresentaram candidaturas ao Senado, um número que saltou para 12 nos últimos dias. Essa cifra é, de fato, quatro vezes maior que a do pleito anterior e três vezes em comparação com as eleições de 2022. Para cientistas políticos consultados, as razões são múltiplas e complexas. Destacam-se a garantia de foro privilegiado para oito anos, a valorização do Parlamento e a popularidade mantida desses governadores em seus respectivos estados.
Os governadores que desejam se candidatar precisam renunciar até abril, seis meses antes das eleições. Muitos já iniciaram as articulações, enquanto outros optam por esperar até mais perto do prazo de desincompatibilização antes de tomarem uma decisão final. Fátima Bezerra (PT-RN) e João Azevêdo (PSB-PB), por exemplo, já afirmam que suas candidaturas estão sendo costuradas em prol da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Movimentações políticas e justificativas
Bezerra acredita que sua candidatura é uma prioridade para o partido a nível nacional, ressaltando a importância da disputa no Senado para a democracia. “A minha candidatura ao Senado está dentro das prioridades do PT nacional”, afirmou. Por sua vez, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), também confirmou suas intenções de candidatura, o que poderá colocá-lo na disputa pela vaga atualmente ocupada por seu pai, Jader Barbalho.
Barbalho declarou: “Vamos dialogar com os paraenses para seguir trabalhando pelo estado e pelo Brasil no Senado, pensando especialmente na segurança pública, no desenvolvimento da Amazônia e na redução do custo da energia elétrica”. No espectro político da direita, Antonio Denarium (PP) de Roraima acredita na popularidade de seu governo para conquistar um espaço no Senado, confiando que o julgamento do TSE sobre abuso de poder político não impactará seu futuro político.
A luta e as cartas na mesa
Para os analistas, a “safra numerosa” de governadores bem avaliados, como Denarium e Castro, que enfrenta um processo de cassação, reflete um fortalecimento da visão do Congresso. O cientista político Murilo Medeiros acredita que “o Senado deixou de ser visto como um fim de carreira e passou a ser uma plataforma de poder duradouro”. As eleições de 2026 trazem a oportunidade para que esses governadores continuem a influenciar a agenda nacional, ao contrário do que pensam muitos que miram a presidência e se arriscam mais.
Históricamente, foi em 2022 que todos os quatro governadores que concorriam ao Senado foram eleitos. Este ano, um bom número de governadores já articula suas campanhas, enquanto outros, como Eduardo Leite (PSD-RS) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), falam sobre suas possibilidades, mas decidirão mais perto do prazo para se desvincular do governo.
Articulações da direita e da esquerda
Apesar do aumento das intenções de candidatura por parte de muitos governadores, os que são mais alinhados ao passado governo de Jair Bolsonaro optam em grande parte por não concorrer ao Senado, apostando suas fichas em uma candidatura à presidência. Caso consigam a cadeira mais alta do Executivo, isso poderá representar um marco histórico, quebrando um jejum de governadores na presidência que dura 37 anos.
Os governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR) descartam a busca por uma vaga no Senado, numa movimentação que indica que o foco deve ser nas contas mais altas da política brasileira. Este jogo da política, no entanto, está longe de ser apenas uma luta pelo poder; é também uma reação à articulação da esquerda, que já começa a organizar candidaturas robustas para evitar uma possível dominação do legislativo pela direita.
Conclusão
Esse aumento do interesse de governadores pela disputa das cadeiras do Senado pode ser vista como uma evolução natural do panorama político atual do Brasil. Com novas alianças e disputas se formando, a política nacional entra em uma fase decisiva. O que se desenha é um embate em que as estratégias não serão apenas eleitorais, mas também de articulação e defesa de interesses. Os próximos meses prometem muitos desdobramentos nesse cenário eleitoral, onde governantes buscam não apenas o poder, mas uma proteção e continuidade de suas agendas políticas.















