Após a assinatura do tratado nesta sexta-feira (9), o Brasil comemora a eliminação de tarifas para 77% dos produtos agropecuários exportados ao mercado europeu, incluindo café, frutas e óleos vegetais. No entanto, a satisfação é acompanhada de desafios ambientais que podem limitar os ganhos.
Exigências ambientais na importação para a União Europeia
Uma das principais condições do acordo é o cumprimento do regulamento EUDR, que obriga importadores europeus a fiscalizar suas cadeias de suprimento para evitar produtos provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Essa norma afeta setores como café, soja, carne bovina e madeira, podendo impactar até 34% das exportações brasileiras.
Segundo o Ministério da Agricultura, produtores terão de demonstrar que toda a cadeia produtiva, desde o plantio até o transporte, não envolveu desmatamento ilegal. Para o setor de carne bovina, esse requisito representa uma dificuldade maior, considerando o histórico de desmatamento na Amazônia, especialmente em Mato Grosso, dado a forte expansão pecuária no estado, conforme levantamento do MapBiomas.
Desafios no uso de agrotóxicos
Outro entrave refere-se aos limites de resíduos de pesticidas nos alimentos, que passaram a seguir criterios mais rígidos da União Europeia, implantados oficialmente neste ano. Os limites para compostos como neonicotinoides, amplamente utilizados na agricultura brasileira, serão menores, o que pode dificultar a exportação de produtos agrícolas.
De acordo com o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos, esses pesticidas são os mais detectados em frutas e verduras no Brasil. Assim, as empresas brasileiras terão que adaptar suas práticas para atender às novas exigências ambientais, sob pena de perderem competitividade no mercado europeu.
Perspectivas e adaptações necessárias
Embora o acordo traga benefícios econômicos, como a redução de tarifas, sua implementação depende do compromisso do Brasil em cumprir as regras ambientais e sanitárias estabelecidas pela UE. A adaptação é fundamental para que o país aproveite as oportunidades do mercado e minimize restrições.
Especialistas afirmam que o sucesso do Brasil neste acordo depende da rigidez na fiscalização do desmatamento e na redução do uso de pesticidas. Caso contrário, as vantagens do tratado poderão ser prejudicadas, limitando ganhos futuros.
Segundo o artigo de Mariana Sgarioni, o setor agroindustrial deve investir em sustentabilidade para se tornar apto a aproveitar o momento histórico de abertura comercial com a União Europeia.














