O ano de 2026 promete trazer um novo protagonismo a mulheres de políticos que buscam se lançar no pleito deste ano. Nomes como o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, das primeiras-damas de Goiás, Gracinha Caiado, e de Maceió, Marina Candia, além da advogada Natalia Szermeta Boulos, casada com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, estão sendo cotados para estarem nas urnas em disputas ao Senado e à Câmara dos Deputados em seus respectivos estados.
Os principais nomes femininos para as eleições de 2026
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, é considerada uma das principais apostas do PL para 2026. Ela, que chegou a ser cogitada como candidata à Presidência no lugar do esposo, preso após condenação no Supremo Tribunal Federal (STF), é vista como uma forte concorrente ao Senado pelo Distrito Federal. À frente do PL Mulher, cargo que a levou a realizar agendas pelo país inteiro, Michelle ainda não anunciou oficialmente se será candidata.
Por outro lado, Gracinha Caiado, esposa do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, já confirmou sua intenção de se lançar na disputa. Após 35 anos de casamento e vivência na política através do marido, Gracinha afirma estar pronta para construir sua própria trajetória política. Em suas palavras, “começaram a falar meu nome para a disputa e uma amiga me contou. Foi só aí que comecei a pensar no assunto e resolvi conversar em casa. Minhas filhas não queriam, mas Ronaldo deixou que eu tomasse minha decisão”. Ela acredita que a popularidade do marido em Goiás será um fator positivo em sua campanha.
Em Alagoas, a disputa para o Senado deve reunir figuras políticas de peso, como Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP). Entre elas, destaca-se a primeira-dama de Maceió, Marina Candia, que também é incentivada a se candidatar, embora ainda não tenha confirmado sua participação. “Ainda estou avaliando uma candidatura, é algo que precisa ser discutido com JHC e com o grupo político do qual ele faz parte”, diz Marina, referindo-se ao prefeito João Henrique Caldas, seu esposo.
No Mato Grosso, a candidatura de Virgínia Mendes, casada com o governador Mauro Mendes, para deputada federal é incentivada por diversos políticos do estado, mas Virgínia considera precoce a discussão sobre sua candidatura, afirmando que contará com o apoio do marido em qualquer missão que decidir seguir.
O papel das esposas de políticos na política brasileira
A cientista política Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom), observa que a transferência do capital político para esposas de políticos é mais comum no espectro da direita. Segundo ela, “há uma estratégia desses partidos, para ampliarem suas votações entre o eleitorado feminino, de lançar candidatas. As mulheres saem fortalecidas, mas isso não reflete um fortalecimento de pautas feministas.”
Do outro lado do espectro político, o PSOL está confiando que o prestígio de Guilherme Boulos junto à esquerda trará votos para sua mulher, Natalia Szermeta Boulos, que confirmou sua pré-candidatura à Câmara por São Paulo. Entretanto, Natalia enfatiza que não deseja ser vista apenas como a esposa do ministro. “Tenho mais de 20 anos de militância e atuação no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Sou militante de esquerda muito antes de conhecer o Guilherme”, defende Natalia, desaprovando a visão que a associa exclusivamente ao marido.
Além disso, há casos em que a entrada da esposa no cenário eleitoral pode causar um racha familiar, como na família Jordy, em que Lais Jordy, esposa do deputado federal Carlos Jordy (PL), pretende concorrer ao cargo de deputada estadual pelo Rio de Janeiro em 2026. Sua candidatura poderá impactar diretamente seu cunhado, Renan Jordy (PL), que também tentará a reeleição.
Com um cenário eleitoral se desenhando para 2026, a expectativa é que mais mulheres ingressem na política, trazendo novas perspectivas e desafios para o exercício democrático do país. A mobilização e as estratégias de campanha irão certamente influenciar o rumo das eleições e a representatividade feminina no Congresso Nacional. A participação ativa dessas mulheres poderá gerar um movimento maior de apoio e inclusão, visando transformar o panorama político brasileiro.















