O ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta sérios problemas de saúde, conforme apontou o laudo médico elaborado pelos peritos da Polícia Federal. De acordo com o documento, Bolsonaro deve passar por uma cirurgia “o mais breve possível” para corrigir uma hérnia inguinal bilateral. O ex-mandatário, que se encontra preso em uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília desde novembro, já havia passado por uma série de exames devido a crises frequentes de soluços.
A conclusão dos peritos médicos
No laudo, os peritos afirmam que Jair Messias Bolsonaro é portador de uma hérnia inguinal bilateral que necessita reparo cirúrgico em caráter eletivo. O exame foi realizado por uma equipe de três especialistas do Instituto Nacional de Criminalística (INC) e constatou que o estado de saúde do ex-presidente piorou significativamente devido a aumentos na pressão interna gerada por crises de soluços e uma tosse crônica.
As complicações de saúde de Bolsonaro derivam de um golpe de faca que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018, além de uma série de sete cirurgias que realizaram em seu abdômen. Os peritos registraram que uma lesão em um nervo do tronco, resultante de um desses procedimentos cirúrgicos, é a causa de seus soluços frequentes, precisando ser reparada para acabar com os episódios.
Gravidade e necessidade do procedimento cirúrgico
O laudo elaborado pela Junta Médica da PF destaca a urgência do procedimento. “No tocante ao quadro de soluços, o bloqueio do nervo frênico é tecnicamente pertinente”, afirmam os peritos, ressaltando que é fundamental realizar a cirurgia rapidamente, em vista da refratariedade aos tratamentos realizados, da piora na qualidade do sono e alimentação, e do risco aumentado de complicações devido à condição herniária.
A hérnia inguinal, segundo o parecer, ocorre quando uma parte do intestino ou tecido abdominal se projeta através de um ponto fraco na parede muscular da virilha, gerando uma protuberância. O diagnóstico é mais comum em homens e pode resultar em dor ou desconforto, necessitando de intervenção cirúrgica para evitar complicações futuras.
A cronologia dos exames realizados
Os peritos também elaboraram uma cronologia dos exames feitos por Bolsonaro nos últimos meses. No dia 16 de agosto de 2025, um exame tomográfico não identificou alterações herniárias. Contudo, no dia 7 de novembro do mesmo ano, um laudo clínico revelou uma hérnia inguinal unilateral, confirmação que se manteve em relatório datado de 9 de dezembro. A ultrassonografia realizada em 14 de dezembro e exames físicos corroboraram o diagnóstico de hérnia inguinal bilateral.
Os especialistas concluem que a recomendação é pela cirurgia, pois a hérnia tende a provocar sequelas e “aumento progressivo”. Embora haja um tratamento conservador possível, geralmente, a maioria dos cirurgiões opta pela intervenção cirúrgica ao descobrir uma hérnia inguinal, devido ao risco de complicações como encarceramento e estrangulamento do tecido.
O papel do STF e a situação jurídica de Bolsonaro
O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes, liberou os exames realizados na Superintendência da PF para avaliar o estado de saúde do ex-presidente, após a defesa dele ter solicitado a realização de cirurgias para tratar tanto da hérnia inguinal quanto dos soluços e outras complicações associadas à sua saúde.
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre uma sentença de 27 anos e 3 meses de prisão por sua participação na tentativa de golpe ocorrida em 8 de janeiro. Ele permanece em regime fechado na sede da Polícia Federal em Brasília desde novembro, enfrentando um cenário complicado tanto em sua vida pessoal quanto profissional.
Os médicos da PF ressaltam que é preciso dar atenção imediata à saúde do ex-presidente, que atravessa um momento crítico e delicado em seu estado físico. O laudo não apenas oferece um vislumbre da situação clínica de Bolsonaro, mas também aponta a urgência da intervenção cirúrgica para evitar agravamentos futuros.
À medida que os desafios legais e de saúde se acumulam, a situação de Jair Bolsonaro continuará a ser acompanhada de perto pela imprensa e pela população brasileira.














