Brasil, 8 de fevereiro de 2026
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Alckmin confirma que 22% das exportações brasileiras aos EUA ainda sofrem sobretaxas

Geraldo Alckmin destacou avanços nas negociações bilaterais após a retirada de tarifas extra por parte dos EUA

Nesta sexta-feira (21), o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que aproximadamente 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos continuam sujeitas às sobretaxas impostas pelo governo norte-americano. A declaração foi feita no Palácio do Planalto, um dia após a Casa Branca retirar 238 produtos da lista do chamado tarifaço.

Avanços nas negociações bilaterais com os EUA

Segundo Alckmin, a recente decisão representa o maior avanço até agora nas negociações entre Brasil e Estados Unidos. Ele revelou que, no início da imposição das tarifas, 36% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano estavam sob alíquotas adicionais.

“Gradualmente, tivemos decisões que ampliaram as isenções. Com a retirada dos 238 produtos, reduzimos para 22% a fatia da exportação sujeita ao tarifaço”, afirmou o ministro.

Impacto na pauta de produtos e setor agrícola

A medida anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, revoga a tarifa extra de 40% para uma lista de itens, predominantemente agrícolas, incluindo café, carne bovina, banana, tomate, açaí, castanha de caju e chá. Essa isenção, que tem efeito retroativo a 13 de novembro, permitirá o reembolso de produtos já exportados.

Dados sobre as exportações brasileiras aos EUA

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, com base nos US$ 40,4 bilhões exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano em 2024:

  • US$ 8,9 bilhões ainda estão sujeitos à tarifa adicional de 40% (ou 10% mais 40%, dependendo do produto);
  • US$ 6,2 bilhões continuam enfrentando a tarifa extra de 10%;
  • US$ 14,3 bilhões já estão livres de sobretaxas;
  • US$ 10,9 bilhões permanecem sob as tarifas horizontais da Seção 232, relacionadas a setores como siderurgia e alumínio.

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, destacou que a parcela das exportações totalmente livre de tarifas adicionais cresceu 42% desde o início da crise. No entanto, ela alertou que o setor industrial ainda enfrenta maiores dificuldades para ampliar sua presença em outros mercados, especialmente bens de maior valor agregado, como as aeronaves da Embraer, que continuam sujeitas à tarifa de 10%.

Negociações continuam em andamento

Alckmin afirmou que a decisão dos EUA foi influenciada pelo diálogo recente entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro na Malásia, em outubro. O governo brasileiro enviou uma proposta de acordo comercial aos americanos, em 4 de novembro, cujo conteúdo não foi divulgado.

O ministro enfatizou que o Brasil busca avançar nas tratativas para retirar novos produtos da lista de itens tarifados e anunciou que temas como terras raras, big techs, energia renovável e o política de tributação de Data Centers (Redata) continuam na pauta de discussão. Além disso, Lula questionou a aplicação da Lei Magnitsky, que resultou em sanções contra autoridades brasileiras, tamanho elemento de tensão nas negociações.

Produtos industriais e setores mais sensíveis

Apesar do alívio para diversos itens agrícolas, o governo avalia que os produtos de origem industrial permanecem como os principais focos de preocupação. Bens de maior valor agregado ou produzidos sob encomenda possuem dificuldades maiores para redirecionar suas exportações.

Geraldo Alckmin ressaltou que continuará empenhado na busca por novas exceções às tarifas. “Continuamos otimistas. O trabalho não terminou, mas avança com menos barreiras”, declarou.

Fonte: Agência Brasil

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