A um ano das eleições presidenciais de 2026, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta uma recuperação significativa em sua popularidade, conforme mostra a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada recentemente. Após um período de desafios, com destaque para a crise do Pix, a administração de Lula alcançou seu nível mais alto de aceitação desde janeiro, marcando um ponto potencialmente decisivo na corrida eleitoral que se aproxima.
Cenário atual da aprovação governamental
Os dados da pesquisa indicam que a aprovação do governo Lula subiu para 48%, enquanto a taxa de reprovação se manteve alta em 49%, refletindo um quadro quase equilibrado. Em setembro, esses números eram de 46% e 51%, respectivamente, evidenciando uma leve recuperação no sentimento popular em relação à gestão. Essa melhora se destaca na comparação com os últimos meses, quando a aprovação passou a crescer lentamente após os desafios enfrentados pelo presidente.
Essa tendência de recuperação ocorre paralelamente a um crescente embate entre o governo e partidos do Centrão, que compõem sua base aliada. Ministros do governo, como Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esportes), demonstraram força ao permanecer em seus cargos, desafiando certas diretrizes de suas siglas. Apesar disso, a administração de Lula terá que enfrentar dificuldades, como a recente derrubada de uma medida provisória crucial, evidenciando as tensões persistentes dentro do Congresso.
Fatores que influenciam a aprovação
Dentre os fatores que contribuíram para esse ligeiro aumento na aprovação, destaca-se a proposta de isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas que ganham até cinco salários mínimos. Essa é uma bandeira importante para Lula, tendo sido anunciada durante sua campanha em 2022. O projeto, agora mais conhecido, tem a aprovação de 79% da população, conforme dados da pesquisa. Além disso, a aproximação diplomática com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, também parece ter influenciado positivamente a percepção que os brasileiros têm do atual governo.
O impacto do diálogo com Trump
A pesquisa não teve a oportunidade de captar todos os efeitos da conversa recente entre Lula e Trump, realizada na Assembleia Geral da ONU, mas esse encontro foi amplamente comentado. Dentre os entrevistados, 57% estavam cientes do encontro entre os dois presidentes, e 49% acreditam que Lula saiu fortalecido politicamente desse episódio, enquanto apenas 27% discordam. Essa nova dinâmica pode alterar ainda mais o cenário político brasileiro, especialmente em um momento em que a classe média e o eleitorado feminino estão cada vez mais receptivos às propostas do governo.
Desafios e preocupações para a gestão Lula
Apesar da melhora na avaliação do governo Lula, a pesquisa também revelou desafios significativos a serem enfrentados pela administração. Em particular, 56% dos entrevistados acreditam que o Brasil está seguindo na direção errada, e 63% afirmam que Lula não está conseguindo cumprir suas promessas de campanha. Essas percepções podem ter implicações diretas na intenção de voto e na durabilidade da aprovação governamental, especialmente à medida que as eleições se aproximam.
Outro ponto que precisa ser observado é a desconfiança em relação à recuperação econômica. Embora 43% dos entrevistados acreditem que a economia vai melhorar, um percentual significativo ainda tem visões pessimistas sobre o futuro. A administração precisa trabalhar para converter essas expectativas em confiança e, por consequência, em apoio popular a curto e longo prazo.
Conclusão e o futuro
À medida que o governo Lula se aproxima do seu primeiro ano, a administração está claramente em um ponto de inflexão. A recuperação na aprovação traz esperança, mas os desafios no Congresso e o ceticismo popular ainda podem representar obstáculos significativos. Com as eleições de 2026 em vista, as estratégias para manter e ampliar essa base de apoio se tornam fundamentais. As promessas de campanha, especialmente em relação à reforma tributária, serão essenciais para solidificar a confiança do eleitorado, particularmente em um cenário em constante evolução como o da política brasileira.















