Executivos, empresários e especialistas defenderam a inclusão econômica e social de comunidades locais durante o evento “Transição Energética – a conta da mudança: quem paga, quem ganha e quem pode ficar para trás”, realizado em 4 de novembro de 2026, em Belém.
O encontro, promovido pelos jornais O GLOBO e Valor Econômico, discutiu os desafios de substituir fontes de energia e os efeitos da mudança sobre populações da Amazônia. Os participantes afirmaram que o processo deve considerar o acesso à energia, a capacidade de pagamento e as características de cada comunidade.
Gustavo Tavares, gerente de regulação da Equatorial Pará, disse que o acesso à energia é um dos primeiros passos para a cidadania. Segundo ele, a empresa cruza seus dados com os de governos para identificar famílias que podem receber tarifas sociais.
A distribuidora atende 3 milhões de clientes no Pará, dos quais 1 milhão são elegíveis às tarifas sociais. Tavares afirmou que pelo menos outras 70 mil famílias já foram mapeadas para possível inclusão no programa.
Eugênio Pantoja, gerente sênior de relações externas de B&A e diretor-técnico do Fundo Hydro, afirmou que a empresa conduz ações para alterar sua matriz energética e programas de responsabilidade social nas comunidades próximas às operações. Entre as iniciativas está o Programa Corredor, voltado a atividades de baixo carbono e à biodiversidade ao longo da região do mineroduto de bauxita entre Paragominas e Barcarena, no Pará.
O Fundo Hydro também iniciou um projeto para comprar sementes de açaí descartadas em cidades amazônicas e utilizá-las como fonte de energia para caldeiras. Empresas de médio porte coletam os caroços e os vendem à companhia, criando uma atividade econômica local e dando novo uso ao resíduo.
Fatima Chamma, CEO da Chamma da Amazônia, afirmou que a transição deve envolver toda a cadeia produtiva regional, com melhorias na logística, na infraestrutura e no acesso de micro e pequenas empresas a financiamento. Para ela, a produção de itens como embalagens na própria região pode contribuir para o desenvolvimento de uma indústria baseada na bioeconomia.
O pesquisador Lucas Mateus Coelho Nunes, doutorando em ciências ambientais pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), disse que a mudança da matriz energética precisa considerar as necessidades específicas de cada estado e comunidade. Ele citou a energia solar como exemplo de solução que deve ser avaliada de acordo com a capacidade de atendimento em diferentes localidades.
Lilian Rebellato, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), defendeu a valorização dos conhecimentos tradicionais e afirmou que o acesso à energia e a segurança alimentar precisam ser considerados conjuntamente. Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, associou o avanço de uma transição justa ao funcionamento das instituições democráticas e citou o projeto Celeiro Cerrado como uma iniciativa de articulação entre governos, empresas e sociedade civil.
O projeto Transição Energética tem patrocínio da Vale.
Fonte: O GLOBO