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segunda-feira, 02 de novembro de 2026

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ECONOMIA

Mercado amplia aposta em pausa no corte da Selic após eleições

Alta do dólar e incertezas fiscais após as eleições ampliam a aposta do mercado na manutenção da Selic em 13,75%.

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O mercado financeiro ampliou a aposta na manutenção da Selic em 13,75% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina nesta quarta-feira, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência a partir de 2027.

Antes das eleições, a expectativa predominante era de um corte de 0,25 ponto percentual, apoiada em sinais de desaceleração da atividade econômica. A mudança de projeção ocorreu em meio ao aumento das preocupações com a política fiscal e à alta do dólar.

A moeda americana acumulou valorização de 9% na semana passada e encerrou o período cotada a R$ 5,44. Segundo avaliações de agentes do mercado, parte da alta refletiu o reposicionamento após o resultado eleitoral e a expectativa de um ajuste fiscal menos robusto em um novo governo petista.

O IPCA acumulou alta de 4,58% em 12 meses até setembro, acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. A Selic está em 13,75%, após cinco cortes de 0,25 ponto percentual desde março.

As opções digitais de Copom negociadas na B3 encerraram a última sexta-feira indicando 72% de probabilidade de manutenção dos juros e 26% de chance de redução de 0,25 ponto percentual, segundo Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas Asset.

Chermont mudou sua previsão de corte para manutenção depois das eleições. Para ele, a alteração está relacionada à alta do dólar e à expectativa de piora nas projeções de inflação do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira.

Na pesquisa anterior, as medianas para a inflação eram de 5,19% no fim de 2026, 4,34% no fim de 2027 e 3,75% no encerramento de 2028. As projeções foram feitas antes da definição do pleito.

A consultoria Buysidebrazil elevou de 3,9% para 4,7% a previsão para o IPCA de 2027. Também aumentou de R$ 4,90 para R$ 5,40 a estimativa para o dólar no fim de 2026 e de 2027.

Em relatório, a consultoria afirmou que a pressão inflacionária adicional e o risco de desancoragem das expectativas devem levar o Copom a interromper o ciclo de flexibilização monetária, apesar da desaceleração da atividade econômica.

O Banco Pine citou a incerteza sobre a política fiscal do novo governo e os possíveis efeitos do El Niño sobre a inflação de 2027. O Itaú Unibanco acrescentou ao diagnóstico o ambiente externo mais adverso, com aperto das condições financeiras em economias desenvolvidas e alta do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio.

O Itaú estima que a projeção oficial do Banco Central para a inflação no segundo trimestre de 2028, horizonte relevante para a decisão, suba de 3,1% para 3,4%. Para Cristiano Oliveira, economista-chefe do Pine, uma eventual manutenção dos juros em novembro não encerraria necessariamente o ciclo de cortes, que dependerá da inflação, da atividade econômica e de outros fatores acompanhados pelo BC.

Fonte: O Globo

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