Ir para o conteúdo

segunda-feira, 02 de novembro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA

Petrobras eleva querosene de aviação em 7,2% e amplia pressão sobre companhias aéreas

Reajuste de R$ 0,45 por litro entrou em vigor neste domingo (1º), após alta de 11,76% em outubro; efeito sobre passagens depende do repasse pelas empresas

Compartilhe
WhatsApp
Petrobras eleva preço do querosene de aviação
Crédito: Acervo/Diário do Povo

A Petrobras aumentou em 7,2% o preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, com vigência a partir deste domingo, 1º de novembro. O reajuste representa um acréscimo de R$ 0,45 por litro em relação a outubro e acrescenta pressão sobre os custos do transporte aéreo brasileiro.

Em comunicado, a estatal atribuiu a decisão à elevação das cotações internacionais do combustível. Segundo a companhia, o mercado enfrenta os efeitos da intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e da redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, em decorrência da guerra entre os dois países.

A nova correção ocorre depois do aumento de 11,76% aplicado em outubro, quando o preço médio nas refinarias da Petrobras passou de R$ 5,585 para R$ 6,242 por litro. Considerando os dois reajustes sucessivos, a elevação composta chega a aproximadamente 19,8% em relação ao patamar de setembro. O cálculo considera a incidência do aumento de novembro sobre o valor já corrigido no mês anterior.

Petrobras reajusta novamente querosene de aviação
Variação acumulada calculada por multiplicação dos fatores de reajuste, sem somar diretamente os percentuais.Infografia/DP


O combustível constitui uma das principais despesas das companhias aéreas. Segundo representantes do setor citados pela Folha de S.Paulo, sua participação nos custos operacionais passou de 32% para cerca de 45% com a sequência de aumentos. Esse percentual é uma referência setorial e não significa que todas as empresas tenham a mesma estrutura de gastos.

O reajuste anunciado pela Petrobras incide sobre a venda às distribuidoras. O passageiro poderá sentir seus efeitos conforme as companhias incorporarem a despesa às decisões comerciais, mas a alta de 7,2% no QAV não determina aumento equivalente no preço das passagens.

Para dimensionar a diferença, cada 10 mil litros adquiridos com acréscimo de R$ 0,45 representam R$ 4,5 mil adicionais nessa etapa da comercialização. Trata-se de um exemplo aritmético, sem considerar condições contratuais específicas, tributos ou custos de distribuição. O valor não corresponde ao gasto de uma rota ou aeronave determinada.

A cadeia de abastecimento envolve etapas entre a refinaria e o avião. A Petrobras comercializa o combustível com as distribuidoras, que transportam e vendem o produto às empresas aéreas e a outros consumidores nos aeroportos. Distribuidoras e revendedores também respondem pelas instalações e pelos serviços de abastecimento.

Essa estrutura ajuda a explicar por que o preço divulgado pela petroleira não equivale, necessariamente, ao valor final pago por cada companhia. A alteração na origem percorre uma cadeia comercial antes de chegar à operação dos voos.

A Petrobras informa que os ajustes do QAV seguem uma fórmula prevista nos contratos, com atualização mensal. Segundo a empresa, esse mecanismo reduz a transmissão imediata das oscilações internacionais, enquanto outros mercados podem registrar revisões diárias. A companhia sustenta que os aumentos acumulados no exterior desde o início do conflito superam os observados no Brasil.

A atualização mensal oferece uma referência de preço durante o período de vigência, mas não impede aumentos sucessivos. Quando as condições externas permanecem pressionadas, a aplicação da fórmula pode resultar em novas elevações nos meses seguintes, como ocorreu em outubro e novembro.

Em explicação pública sobre sua política comercial, a Petrobras também relaciona a formação do preço às variações internacionais do produto e à taxa de câmbio, com movimentos possíveis tanto de alta quanto de queda. O acompanhamento do mercado externo considera, assim, o derivado utilizado na aviação, além das condições gerais do petróleo.

Para avaliar o impacto sobre os passageiros, será necessário acompanhar as tarifas efetivamente comercializadas após o reajuste. Os dados anunciados neste domingo permitem medir a correção do combustível vendido pela Petrobras, mas não estabelecem um percentual de repasse aos bilhetes nem uma data para eventual mudança nos preços.

Nas próximas semanas, a evolução das cotações internacionais e as decisões comerciais das empresas indicarão como a nova despesa será absorvida. Para o setor aéreo, o ponto imediato é o aumento acumulado em dois meses; para o consumidor, o efeito dependerá de quanto desse custo chegará às tarifas.

Fonte: O Globo

Leia também