A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 30 de outubro, que André Mendonça substitua Alexandre de Moraes na relatoria da investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Os advogados também solicitaram a revogação das medidas cautelares impostas ao senador.
Os pedidos foram apresentados em três petições. Duas foram encaminhadas ao presidente do STF, Edson Fachin, e questionam a permanência de Moraes no caso; a terceira, dirigida ao próprio ministro, pede a revisão das restrições impostas a Flávio.
A defesa argumenta que Mendonça deve assumir a investigação porque já conduz procedimentos relacionados a Willer Tomaz na Operação Sem Desconto e em outro processo que, segundo os advogados, apura a mesma estrutura empresarial atribuída ao advogado. Para eles, o ministro seria o relator prevento de procedimentos conexos.
Os advogados também pedem que Moraes seja declarado impedido ou, alternativamente, suspeito para continuar no caso. A alegação é de que a investigação envolve a empresa proprietária de uma aeronave usada pelo ministro e que teria vínculos com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A Polícia Federal identificou uma viagem feita em janeiro de 2025 por Flávio, sua mulher, duas filhas e Willer Tomaz entre Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e Brasília. O grupo viajou em um jato Legacy 650, pertencente à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., que tinha Willer entre os sócios e recebeu participação da Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio.
A defesa afirma que cotas da empresa proprietária da aeronave teriam sido destinadas ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, em negociação relacionada a contratos com o Banco Master. Os advogados dizem não afirmar que Moraes tenha agido por interesse particular, mas sustentam que possíveis vínculos jurídicos e patrimoniais justificariam seu afastamento para preservar a imparcialidade.
Os pedidos também contestam a decisão que determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, a entrega de documentos de viagem de outras nacionalidades e a proibição de contato com Willer Tomaz. Segundo a defesa, o fato de Flávio aparecer como contato favorito do advogado em um aplicativo e o pagamento de passagens por Willer decorreriam da amizade entre os dois e não comprovariam participação em um esquema criminoso.
Fonte: O Globo