A Polícia Federal avalia solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens e valores do senador Flávio Bolsonaro após a confirmação de que ele desembarcou nos Estados Unidos. A medida seria usada, segundo os investigadores, para pressioná-lo a retornar ao Brasil.
Flávio e o empresário e advogado Willer Tomaz, que também está nos Estados Unidos, são investigados por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas esportivas. O inquérito é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Em decisão contra Willer, Moraes determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, além do sequestro e da indisponibilidade de bens móveis e imóveis até o limite de R$ 6 bilhões. A PF avalia pedir medidas semelhantes contra Flávio.
Os investigadores também realizaram diligências em 27 de outubro para rastrear a rota usada pelo senador para deixar o país. No domingo, após o segundo turno das eleições, a PF havia informado ao ministro que existia risco concreto de evasão do território nacional.
Inicialmente, a PF propôs a entrega dos passaportes e a proibição de contato com Willer Tomaz, em vez da prisão preventiva. Como Flávio teria descumprido a ordem judicial, os investigadores avaliam pedir a detenção, embora considerem que a medida possa não ter efeito prático caso ele permaneça nos Estados Unidos.
Se Moraes decretar a prisão preventiva, o nome do senador poderá ser encaminhado para inclusão na lista vermelha da Interpol. A medida não determina detenção automática, e a decisão caberia às autoridades do país onde ele estiver.
Deputados do PT protocolaram petições em 27 de outubro para pedir a inclusão de Flávio na difusão da Interpol e solicitaram manifestação da Procuradoria-Geral da República. Segundo informações da coluna de Bela Megale, o senador foi recebido na Flórida pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, que teria articulado a saída com autoridades americanas, de acordo com pessoas próximas à família.
O governo dos Estados Unidos confirmou que concederá vistos ao senador e à família. Ainda segundo o relato, o último aliado a falar com Flávio foi Rogério Marinho, ex-coordenador de sua campanha, que recebeu uma mensagem do senador pela manhã antes de ele ficar incomunicável.
Fonte: O Globo