Distritos de São Paulo operaram, em média, com entre 51% e 80% da frota de ônibus de um dia útil no domingo (25), durante o segundo turno das eleições. Levantamento do pesquisador Igor Novaes Lins, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), apontou que cerca de 65% dos coletivos circularam simultaneamente na cidade.
Os dados foram obtidos a partir da API Olho Vivo, mantida pela SPTrans, responsável pelo transporte municipal. Entre 11h e 19h, uma média de 6.928 ônibus circulou ao mesmo tempo no domingo, contra 10.521 coletivos nos dias 21 e 23 de outubro, nos mesmos horários.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou outro índice. Segundo ele, 8.814 ônibus, de uma frota de aproximadamente 12 mil, foram às ruas, o equivalente a 71% do total.
Em 23 de outubro, uma decisão liminar da Justiça Eleitoral determinou que a cidade operasse no domingo com a mesma frota de um dia útil. A prefeitura afirmou que comunicou as empresas concessionárias no sábado e reforçou a determinação no domingo, mas alegou que o prazo reduzido dificultou a reorganização das escalas de trabalho e das rotinas operacionais.
Entre os distritos com menor disponibilidade estavam Ipiranga, na Zona Sul, com 51,1% da frota de um dia útil; Cangaíba, na Zona Leste, e Cursino, na Zona Sul, ambos com 51,3%; e Cambuci, na região central, com 51,4%.
Marsilac, no extremo sul, registrou o maior percentual, com 83,6% da frota de um dia útil. O distrito, porém, tinha a menor quantidade absoluta de ônibus em circulação nos dias de semana, com 27 veículos simultaneamente. Perus registrou 81,5%, e Tremembé, 79,2%.
Lins afirmou que não é possível concluir que a oferta de ônibus tenha provocado impacto direto na abstenção ou favorecido um dos candidatos. Segundo o pesquisador, a frota registrada no domingo foi semelhante à de um sábado, quando a operação também costuma ser menor que a dos dias úteis.
A prefeitura disse que o eventual descumprimento da decisão judicial pelas concessionárias poderá resultar na abertura de processo para aplicação de multa contratual. Nunes atribuiu a operação parcial ao curto prazo para convocar motoristas e mobilizar funcionários das garagens, da operação e da fiscalização.
Fonte: O GLOBO