Flávio Bolsonaro (PL) viajou aos Estados Unidos dois dias após perder o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), movimento que alterou os planos do partido para reorganizar a oposição e abriu uma disputa por protagonismo entre lideranças da direita.
A viagem, relatada por aliados, surpreendeu integrantes da campanha e colocou em dúvida a estratégia de transformar os quase 60 milhões de votos obtidos pelo senador em força política contra o quarto mandato de Lula.
Até então, a cúpula do PL esperava que Flávio conduzisse a articulação da oposição, principalmente no Congresso. A legenda elegeu as maiores bancadas da Câmara e do Senado.
Na segunda-feira, o senador havia anunciado que reuniria os parlamentares eleitos para definir a atuação do grupo. Em vídeo, afirmou que organizaria a oposição e faria do Congresso uma “fortaleza” para resistir ao governo.
Integrantes da campanha disseram não ter sido informados previamente sobre a viagem. Auxiliares criticaram a falta de comunicação e avaliaram que Flávio deixou aliados responsáveis pelas consequências políticas de sua ausência durante a reorganização do grupo.
A ausência também pode afetar os planos de Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou politicamente a campanha presidencial e pretende disputar a presidência do Senado em 2027. Aliados de Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente da Casa, avaliam que o episódio enfraquece a articulação do PL e dificulta a busca de apoio para Marinho.
Segundo esses interlocutores, a situação pode ampliar o isolamento do PL nas negociações com partidos do Centrão, decisivos para a escolha do próximo presidente do Senado. A avaliação é que a ausência de Flávio retira da legenda uma liderança de projeção nacional.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou um vídeo defendendo a reorganização da direita após a derrota presidencial. Sem citar a viagem de Flávio, agradeceu ao senador pela campanha, reconheceu o fim da eleição e pediu união da oposição a Lula.
Tarcísio também defendeu a fiscalização do Executivo e a responsabilidade fiscal. Embora tenha reconhecido o resultado das urnas, afirmou que isso não impediria questionamentos sobre o que considera excessos no processo eleitoral.
Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal, também ganhou espaço na reorganização da oposição. A ex-primeira-dama terá mandato no Congresso a partir de fevereiro de 2027 e poderá participar das negociações sobre a atuação da bancada.
A indefinição ocorre enquanto Flávio é alvo de investigações. Na segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador entregasse os passaportes à Polícia Federal e o proibiu de deixar o Brasil. Segundo o conteúdo original, os documentos não foram apresentados no prazo estabelecido.
Fonte: O Globo