As eleições de Israel terminaram na terça-feira, mas a definição do próximo governo pode levar semanas ou meses. Pesquisas de boca de urna indicam que o bloco de Gadi Eisenkot ficou com 52 a 53 cadeiras e o do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com 50, abaixo das 61 necessárias para formar maioria no Knesset, o Parlamento de 120 assentos.
Como os eleitores votam em partidos, e não diretamente em candidatos, o futuro primeiro-ministro terá de construir uma coalizão. Se nenhum grupo conseguir reunir apoio suficiente, o país poderá realizar uma nova eleição.
As emissoras de televisão divulgaram estimativas logo após o fechamento das urnas. A apuração deve oferecer um quadro mais claro em até 24 horas, enquanto o resultado final é esperado até a sexta-feira; por lei, a publicação oficial pode ocorrer até 4 de novembro.
A contagem é manual e envolve mais de 12 mil seções eleitorais. As cédulas são contadas por representantes dos partidos, sob supervisão de observadores, e as atas em papel seguem para centros regionais antes do registro eletrônico dos resultados.
Os votos de militares e reservistas, depositados em 850 seções instaladas em bases, começam a ser contados na quarta-feira. Segundo a matéria, essa etapa pode favorecer o bloco de Netanyahu, que reúne partidos da direita nacionalista e siglas religiosas ultraortodoxas.
As cadeiras são distribuídas proporcionalmente aos votos, mas só participam da divisão os partidos que superam a cláusula de barreira de 3,25% dos votos válidos. Os votos destinados a siglas abaixo desse percentual são descartados, o que pode alterar a composição do Parlamento.
Os 120 deputados eleitos tomam posse em 10 de novembro, antes da formação do novo governo. Uma das primeiras tarefas do Knesset será escolher o presidente da Casa, e os partidos árabes, embora não devam integrar o próximo governo, podem ter votos decisivos em escolhas e votações sem uma maioria definida.
Após a divulgação oficial do resultado, o presidente Isaac Herzog terá até sete dias para ouvir os líderes dos partidos eleitos e indicar o parlamentar que considerar mais capaz de formar uma coalizão. O escolhido não precisa ser o líder da legenda mais votada nem ter, necessariamente, 61 recomendações.
O primeiro indicado terá 28 dias para formar o governo, com possibilidade de extensão por mais 14. Se fracassar, outro parlamentar poderá receber 28 dias; em uma terceira tentativa, a maioria do Knesset poderá indicar um nome com prazo de 14 dias. A coalizão ainda precisará ser aprovada em um voto de confiança.
Se nenhuma tentativa funcionar, o Knesset será dissolvido e uma nova eleição deverá ser convocada em até 90 dias. Até lá, o governo de Netanyahu seguirá interinamente, com os serviços públicos em funcionamento.
Durante a votação, o partido de Netanyahu pediu a extensão do horário das urnas, mas a Comissão Eleitoral Central negou o pedido e informou que os eleitores que estivessem na fila às 22h poderiam votar. Netanyahu acusou adversários de tentar "roubar a eleição", enquanto o partido Yashar, de Eisenkot, afirmou que o primeiro-ministro estaria "preparando o terreno para contestar os resultados".
Fonte: O Globo