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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

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Derretimento de geleiras expõe munições da Primeira Guerra nos Dolomitas

O derretimento de geleiras nos Dolomitas revelou mais de 250 artefatos explosivos da Primeira Guerra Mundial, preservados no gelo por mais de um século.

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O derretimento acelerado das geleiras nos Dolomitas, no norte da Itália, revelou projéteis de artilharia italianos e de morteiro franceses usados na Primeira Guerra Mundial. Segundo o Exército italiano, os artefatos ficaram preservados no gelo por mais de 100 anos e foram localizados durante uma campanha de verão na região de Trentino-Alto Ádige.

Os primeiros relatos partiram de excursionistas que encontraram bombas na área de Canal San Bovo, no Vale do Primiero, na província de Trento. Depois disso, militares fizeram buscas em locais de alta altitude e em outras geleiras dos Dolomitas.

De acordo com a Brigada Alpina Julia, mais de 250 artefatos explosivos foram recuperados e neutralizados. Em Canal San Bovo, a operação encontrou 18 projéteis de artilharia italianos de 75 milímetros e 37 projéteis de morteiro Thevetot, fabricados na França e também fornecidos ao Exército Real Italiano durante o conflito.

A orientação das autoridades é não tocar em qualquer artefato explosivo encontrado e comunicar imediatamente o achado à polícia. As peças históricas serão incorporadas ao acervo do Museu da Guerra Branca, com inauguração prevista para junho de 2027, em Bormio.

Stefano Morosini, professor da Universidade de Bergamo e coordenador de projetos de patrimônio do Parque Nacional de Stelvio, afirmou que o reaparecimento das munições está relacionado ao aquecimento global e ao recuo acelerado das geleiras alpinas.

Segundo Morosini, artefatos perigosos surgem ao fim de cada verão, em quantidade crescente. Ele também afirmou que as ondas de calor prolongadas têm dificultado o acesso às geleiras durante o verão.

A Guerra Branca foi travada entre tropas italianas e o Exército Austro-Húngaro nos Dolomitas de Trentino-Alto Ádige e nos Alpes da Lombardia, entre 1915 e 1918. O derretimento do gelo já revelou armas, trenós, cartas, diários e corpos de soldados, além de abrigos usados durante o conflito.

Em 2015, o derretimento completo do gelo no topo do Monte Scorluzzo expôs um abrigo de madeira com colchões de palha, roupas, lanternas, jornais, cartões-postais, moedas e alimentos enlatados. Em 2017, familiares de um soldado italiano conseguiram realizar seu sepultamento após documentos serem encontrados junto ao corpo dele na geleira Presena.

Fonte: O Globo

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