O rei Charles III reconheceu, em 28 de outubro, os sofrimentos e as injustiças ligados ao passado colonial britânico durante discurso nas Bahamas, primeira etapa de uma viagem de nove dias pelo Caribe.
"Sabemos que uma parte do que a cultura das Bahamas tem de melhor hoje nasceu da escuridão", afirmou o monarca em um encontro com jovens em Nassau. Ele disse que é justo reconhecer os sofrimentos do passado enquanto os países celebram conquistas atuais e criam oportunidades para o futuro.
A declaração ocorre em meio a pedidos de desculpas oficiais e reparações pela escravidão e pelo tráfico de pessoas escravizadas, dos quais o Reino Unido se beneficiou durante séculos. Manifestantes exibiram cartazes com a frase "Paguem o que nos devem" durante a chegada do rei ao local do discurso.
Charles III viajará ainda para a Guiana e, depois, para Antígua e Barbuda, onde participará da reunião dos chefes de governo dos 56 países da Commonwealth, entre 1º e 4 de novembro. Segundo Shirley Ayorkor Botchwey, secretária-geral da organização, a reivindicação por reparações estará na pauta do encontro.
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, afirmou que reconhecer os chamados dias sombrios da colonização é apenas um primeiro passo e defendeu pedidos de desculpas do antigo Império Britânico.
Durante a passagem pelas Bahamas, o rei também abordou as mudanças climáticas e os riscos para as ilhas de baixa altitude. Ele afirmou que 90% das terras do país estão a menos de dois metros acima do nível do mar e disse que o mundo precisa de cura para os danos causados pelo clima.
Conhecido por defender causas ambientais, Charles III participará de atividades relacionadas à restauração de corais em Antígua e Barbuda e à proteção da floresta tropical na Guiana. Ele também acompanhará eventos culturais e as celebrações da independência de Antígua e Barbuda.
Fonte: O Globo