Instituições financeiras comunicaram 99 incidentes cibernéticos ao Banco Central (BC) até setembro de 2026, o maior número desde pelo menos 2018, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta terça-feira (27).
As fraudes representam 68 dos casos, ou 69% do total. Em todo o ano de 2025, foram registrados 76 incidentes, dos quais 39 classificados como fraudes; em 2024, o número total foi de 59.
O BC atribui parte do aumento à melhora na detecção, ao reforço do monitoramento e ao maior envio de informações por bancos e instituições. A digitalização dos serviços financeiros e a conexão entre empresas também contribuíram para a alta.
Segundo o relatório, grupos criminosos demonstraram conhecimento sobre o funcionamento do sistema de mensagens do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e das contas usadas pelos bancos para liquidar operações. Em diferentes casos, combinaram invasões, uso de senhas válidas e automação de transações fraudulentas.
Um dos principais casos envolveu a invasão de um fornecedor de tecnologia e o acesso às chaves de um certificado digital de uma instituição cliente. Como o certificado continuava válido após uma mudança na forma de conexão, os criminosos conseguiram enviar mensagens fraudulentas com aparência legítima.
O BC adotou medidas preventivas após identificar risco semelhante em outras instituições, incluindo a limitação temporária de operações e a troca de certificados. O relatório não informa quais empresas foram envolvidas.
Em outros episódios, criminosos obtiveram senhas de funcionários, desenvolvedores e prestadores de serviço por meio de phishing. Também exploraram APIs para enviar ordens de transferência sem as aprovações usuais e falhas de programação que permitiram estornos e recargas indevidos.
Levantamento do BC com 1.365 instituições, realizado no primeiro semestre, mostrou que 42% avaliam periodicamente o risco cibernético de cada fornecedor. A autenticação em mais de uma etapa protege contas de acesso amplo em 65% das instituições, enquanto 30% usam inteligência artificial para detectar fraudes.
Na pesquisa trimestral do BC com instituições financeiras, 12% apontaram o risco operacional, que inclui ataques cibernéticos, como a principal ameaça à estabilidade financeira em agosto. O percentual era de 8% em fevereiro.
O BC afirmou que os incidentes provocaram perdas relevantes em casos específicos, mas não comprometeram o funcionamento do sistema financeiro. A instituição informou que continuará monitorando os casos e desenvolvendo iniciativas para fortalecer a resiliência cibernética.
Fonte: O Globo