Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) atribuem a derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 a uma sequência de erros da campanha. As críticas incluem excesso de confiança, estratégia considerada errática contra o petista, distribuição de aliados pelos estados e a participação de Pablo Marçal na preparação para debates.
Interlocutores classificam como “salto alto” a postura adotada por Flávio e integrantes de seu entorno na reta final. A realização de uma festa antes da definição do resultado é citada como exemplo de que a campanha teria tratado a vitória como encaminhada.
A estratégia de confronto com Lula também é questionada. Segundo integrantes da campanha, Flávio tentou se apresentar como moderado, mas concordou excessivamente com o adversário ao prometer manter benefícios e políticas públicas do governo, sem marcar diferenças claras nem intensificar as críticas às medidas econômicas anunciadas durante a disputa.
Aliados também consideram um erro o deslocamento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para agendas no Nordeste. Na avaliação desse grupo, os dois deveriam ter concentrado esforços em São Paulo e Minas Gerais.
A participação de Pablo Marçal na preparação de Flávio para o debate da Band entrou na lista de críticas. Integrantes da equipe afirmam que a presença do influenciador provocou divergências internas e agravou o conflito sobre o tom que o candidato deveria adotar diante de Lula.
O episódio também gerou desconforto por causa da relação de Marçal com o marqueteiro Duda Lima, agredido por um assessor do influenciador durante a campanha municipal de São Paulo, em 2024. Segundo relatos de integrantes da campanha, Duda Lima e o prefeito Ricardo Nunes, que também participou da preparação, não mantinham diálogo com Marçal.
Aliados criticaram ainda a reação de Flávio após o resultado. O senador anunciou uma contestação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a extensão do horário de votação.
Em novo pronunciamento divulgado nesta segunda-feira, Flávio afirmou que pedirá ao TSE a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder político e econômico. Ele acusou o governo de utilizar recursos públicos para favorecer a reeleição, mas não fez acusações diretas de fraude nas urnas eletrônicas.
De acordo com relatos de aliados, a campanha discutiu três versões do discurso após a derrota, duas delas com questionamentos mais diretos ao sistema eletrônico de votação. Prevaleceu a alternativa considerada menos confrontadora, para evitar acusações de estímulo a manifestações golpistas ou de desconfiança sobre o sistema eleitoral.
Para esse grupo, a contestação imediata gerou desgaste e desviou a atenção da votação obtida por Flávio. Aliados defendem que o senador deveria se apresentar como liderança da oposição e organizar a atuação de parlamentares eleitos no Congresso.
Em reunião com Tarcísio de Freitas, o senador Rogério Marinho e o senador eleito Guilherme Derrite, ficou definido que Flávio permaneceria no Brasil e assumiria a organização da oposição. No vídeo, o senador disse que nunca cogitou deixar o país e afirmou que reunirá parlamentares para definir a atuação do grupo.
Fonte: O Globo